Odenildo Sena

26 Jan

Arrogância pra inglês ver

Leio matéria dando conta de que o jornal inglês “The Guardian” referiu-se a Lula como mentiroso. A afirmação se deveria a uma declaração do presidente, em agosto do ano passado, assegurando que o desmatamento na região amazônica estava sob controle. Na mesma linha que se tornou comum nos últimos anos, em que todo mundo se acha no direito de entender e dar palpite sobre a Amazônia, o dito jornal tece considerações acerca das razões que teriam levado ao aumento do desmatamento recentemente anunciado pelo governo brasileiro. O que não é de causar espanto, nesse caso, é o saudosismo colonialista e intervencionista implícito na matéria e na irresponsável e desrespeitosa afirmação. Nenhum país tem o direito de ficar dando palpite em nossas questões internas, muito menos a Inglaterra, que, como se sabe, ao lado de seus eternos aliados americanos, não servem de espelho a qualquer outro país, principalmente quando o assunto é preservação. O recente avanço no desmatamento da Amazônia é preocupante? Claro que sim. Mas essa, repito, é uma questão nossa, e para isso devemos exigir que o governo brasileiro estabeleça mecanismos preventivos de monitoramento e puna com todo o rigor os responsáveis. Agora, munir-se de gratuita arrogância e taxar o presidente brasileiro de mentiroso é um gesto ofensivo e descabido que merece todo o repúdio. Fosse no tempo de eu menino, a resposta mais oportuna e sensata a uma agressão dessa natureza viria sinteticamente na bucha: “Mentiroso é a mãe!”

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