A velha mídia e os cartões corporativos
Não tem jeito. A elite conservadora e preconceituosa, que tem na chamada grande mídia o seu mais fiel representante, não engole e não assimila o fato do povo brasileiro ter escolhido um torneiro mecânico, pela segunda vez, para presidente da República. O episódio dos cartões corporativos, que resultou no afastamento de uma ministra, é ilustrativo disso. Há uma diferença fundamental entre o uso desse mecanismo durante o governo do senhor Fernando Henrique e de Lula. No primeiro caso, suspeita-se que as somas são altíssimas, mas ninguém sabe, ninguém viu. Os zelosos partidários do ex-presidente-sociólogo querem distância dessa apuração, o que tem recebido, inclusive, a conivência da grande mídia, capitaneada pelo jornal Folha de S. Paulo, que omitiu recentemente informações sobre os gastos exagerados do governo Serra com os tais cartões. No segundo caso, os valores estão todos expostos e podem ser acessados por qualquer cidadão no Portal da Transparência, do Governo Federal. Houve uso indevido do cartão por parte de alguns servidores? Sim, houve, isso foi identificado, e o governo está tomando providências para mudar ou aprimorar o sistema. Em síntese: para um caso, o silêncio e a omissão resolvem; para o outro, é motivo de CPI e, se duvidarem, um álibi que alimenta o espírito sempre armado e golpista dos tucanos, dos demo e da velha mídia aliada.


