Estímulo à ciência: o Amazonas dá o exemplo
O avanço da ciência em qualquer país que, disso decorrente, tenha conseguido destaque no cenário mundial ou que esteja caminhado nessa direção deveu-se sempre à acertada decisão política de investir pesadamente em pesquisa, sem abrir mão do necessário estímulo à formação de capital intelectual. Tal propósito exige mais ousadia, quando se vive em um país com gritantes assimetrias, reveladoras de que, enquanto a Região Sudeste concentra 54% dos pesquisadores doutores do país, a Região Sul 20%, a Região Nordeste 15% e a Região Centro-Oeste 7%, a Região Norte conta apenas com 4%. Em números aproximados, significa dizer que essa área do país, segundo dados de 2006, conta com 2313 pesquisadores doutores, enquanto o Amazonas, com seus mais de 1 milhão e quinhentos mil quilômetros quadrados de extensão e a maior biodiversidade do planeta, reúne tão somente 863. Essa realidade foi decisiva para o Conselho Superior da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas ter aprovado proposta que eleva substancialmente os valores das bolsas de estudos para quem comprar o desafio de cursar uma pós-graduação e contribuir para o desenvolvimento científico do Estado. Se, a partir de março próximo, os valores das bolsas da Capes e do CNPq sobem para R$ 1.130,00 e R$ 1.673,00, respectivamente para mestrado e doutorado, as da Fapeam passam a alcançar R$ 1.356,00 e R$ 1.762,00, para mestrado no Estado e no país, e R$ 2.008,00 e R$ 2.610,00, para doutorado no Estado e no país, respectivamente. Pelo que tais valores representam de estímulo à formação de um grande contingente de novos pesquisadores, pode-se dizer, com convicção, que nenhum outro governo foi tão longe e tão corajoso para correr atrás do enorme prejuízo de décadas e décadas da falta de investimentos estaduais nessa área. A ciência no Amazonas, presente e futura, agradece.


