Duas convicções e um caminho
Um país que não investe pesado na formação de capital intelectual e em ciência e tecnologia está fadado ao fracasso. São inúmeros os exemplos mais recentes de nações que tomaram a decisão política de construir essa estrada que, seguramente, dá acesso à autonomia, à competitividade, à melhor qualidade de vida da população e à maior expectativa de vida de seu povo. Só para ficar em alguns casos mais recentes de ousadia, não foi sem essa guinada que a Coréia, em poucos anos, passou a ser referência para os quatro cantos do mundo, passando de país apagado e inexpressivo à potência respeitada que é hoje. Do mesmo modo, não foi por acaso que os olhos de países do primeiro time em desenvolvimento passaram a nutrir cobiça pela mão-de-obra altamente qualificada da Índia, que hoje orgulha-se de ter um respeitável contingente de profissionais altamente qualificados em tecnologias de ponta. Assim como não foi por puro diletantismo que a China passou de fabricante de quinquilharias à invejável produtora de conhecimentos e promotora de inovação tecnológica. Por outro lado, tenho também convicção de que um país que não investe ousadamente na formação de leitores igualmente está fadado ao fracasso. Da convicção primeira depende esta segunda. Além de ser o principal fato gerador da produção de conhecimentos, pode-se dizer sem medo que o PIB de leitura de uma nação é proporcional à cidadania de seu povo. Mas, neste item, o Brasil continua muito longe do desejável. Que orgulho pode ter um país que, para uma população de 186 milhões de almas, conta apenas com 2 008 livrarias, ou seja, um estabelecimento dessa natureza para cada grupo de 90 mil brasileiros? A comparação é inevitável e traduz uma situação e outra: a cidade de Paris tem à disposição de seus moradores e visitantes 2 000 livrarias, pasmem, para o deleite de uma população de apenas 3 milhões de habitantes. Tanto no primeiro quanto no segundo caso, é preciso uma vigorosa ação de estado que alie os investimentos em C&T a uma arrojada política de estímulo à produção editorial que disponibilize o livro como um produto popular e acessível a todas as classes sociais.


