Odenildo Sena

06 Mai

Lula e a força dos alienígenas

Para horror de algumas poucas criaturas, o fato foi tornado público há poucos dias: o governo liderado pelo presidente Lula obteve a maior aprovação desde sua posse, em 2003. 57,5% consideraram o governo como positivo. Como se tornou recorrente, a chamada grande mídia, que pauta a ordem do dia para o país, ficou agitada e iniciou a sua maratona de entrevistas. Não deu outra. Alguns iluminados disseram que isso se devia ao crescimento da economia, como se ela fosse um ente autônomo que não dependesse de nada e de ninguém. Outros inteligentes afirmaram categoricamente que a razão estava na geração de empregos, como se isso acontecesse no vácuo de qualquer ação indutora. Outros, ainda, bafejaram que isso se devia ao “marketing bem trabalhado do governo”, como se esse recurso não tivesse limite e, por si só, enchesse a barriga do povo. Houve, ainda, os que sustentaram ser isso puro reflexo da conjuntura mundial, como se a tal globalização provocasse um inusitado viés de bondade para com o país. Os mais condescendentes ressaltaram que o presidente conseguia capitalizar bem suas políticas, mas fizeram questão de sublinhar que isso apenas “dá a sensação de um governo competente”, como se a maioria absoluta representada pelos brasileiros consultados fosse um bando de imbecis incapazes de enxergar um palmo além do nariz. Como se vê, atribui-se a tudo a excelente performance do governo, menos à equipe de governo e a quem a comanda, que é o presidente da República. Pois bem. Nem mesmo esfriara essa bem dirigida e organizada repercussão, a mídia se viu obrigada a estampar que o Brasil passou a compor o universo restrito de nações consideradas de pouca possibilidade de inadimplência, ou seja, de baixo risco para aplicações financeiras de estrangeiros. Em outras palavras, a economia doméstica vai muito bem, o chamado risco-país se mantém na faixa dos 200 pontos, feito inédito, e o crescimento econômico navega em boa velocidade. Será tudo isso obra de alienígenas? É só o que falta para escamotear o fato de que a sempre bem nutrida elite, mais de cinco anos depois, continua insistindo no preconceito de que tudo isso só poderia ser orquestrado por um doutor-sociólogo, nunca por um torneiro mecânico.



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