Odenildo Sena

07 Jul

Pesquisa em saúde: o Amazonas avança

Cada vez mais me convenço de que tornar o Brasil um país cientificamente competitivo, sem que ainda tenhamos consolidado uma política de estado para a área, está a exigir um decisivo espírito público de nossos homens públicos. Digo isso pela certeza de que muitos dos resultados dos investimentos em pesquisa são lentos e, muitas vezes, servem mesmo para se descobrir que o caminho percorrido deveria ter sido outro. Isso sem contar com o fato de que, pela sua própria natureza, o fazer científico encontra terreno pouco fértil na mídia e na população em geral, o que acaba por colocar no silêncio muito do que se está realizando. Particularmente aqui no Amazonas, onde o Estado vem dando uma inestimável e indiscutível contribuição para a consolidação da ciência, não se tem registro de outra época em que tanto se tenha desenvolvido pesquisa na área de saúde. E isso, diga-se de passagem, valorizando pesquisadores amazonenses. Poucos sabem, por exemplo, que a mansonelose, vermes finas localizadas sob a pele e nos vasos linfáticos e sangüíneos, atinge pelo menos 25% da população de Coari. Pois esse diagnóstico foi traçado por uma pesquisadora da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas. Poucos sabem, também, que se estudam alternativas para um diagnóstico precoce da Doença Hipertensiva Específica da Gravidez (DHEG), o que evitará possíveis problemas renais nas pacientes. Um pesquisador da Ufam desenvolve o projeto. Da mesma forma, certamente não se faz idéia de que uma equipe de pesquisadores do INPA conseguiu desenvolver uma técnica que permitirá, em menos tempo, não só traçar o diagnóstico da leishmaniose, mas também aferir se o paciente tem co-infecção com HIV. Como pouco se sabe que, diante da evidência de que doenças como tuberculose e hanseníase afetam uma grande parcela de indígenas do Amazonas, uma dedicada equipe da Fundação Oswaldo Cruz estuda caminhos que possam resultar numa metodologia especial de atenção a essas populações. E o pesquisador do Inpa que desenvolveu um método que permitirá um mais eficiente diagnóstico da tuberculose na população infanto-juvenil? E o outro, que estuda a incidência de obesidade entre estudantes adolescentes das escolas públicas? Enfim, são poucos dos muitos exemplos reveladores do estado da arte da pesquisa em saúde no Amazonas. Prova de que, quando se aliam ousadia, vontade política, espírito público, recursos estaduais, iniciativa, parcerias federais e uma bem qualificado universo de pesquisadores é possível pavimentar uma longa estrada rumo ao avanço da ciência e do bem-estar social.

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