Quousque tandem?
A loja é bem iluminada e toda arrumadinha. Móveis coloridos e bem distribuídos. Mesas em designe arrojado. Apenas duas em efetiva ação. As demais, ocupadas por funcionários que se revezavam, acionavam teclas, concentravam-se em algum ponto no infinito, olhavam fixamente para algum cliente, como se dissessem, em silêncio, estou aqui, mas não estou nem aí pra vocês, e estranhamente se levantavam e iam perambular pela sala. Feita a leitura inicial do ambiente, dirijo-me a um funcionário. Pergunta-me se quero uma senha. Entrega-me a 103. O placar luminoso indica 96. Coisa pra vinte minutos, penso otimista. São 17h20. Ocupo a pequena sobra de uma poltrona vermelha. Faço uma varredura no ambiente. Estaciono em uma placa luminosa e saliente localizada por trás de duas funcionárias que ocupam o balcão reservado para o caixa. “Quem tem Tim tem mais”. Fico imaginando o que poderia vir no silêncio após aquele “mais”. Viajo bonito. Tranqüilidade. Segurança. Comodidade. Qualidade e rapidez no atendimento. Invade-me um ar de prepotência e orgulho por ser cliente. Desperto do breve sono. São 18h45. O moço pendurado ao telefone em uma das cabines gesticula nervosamente. Lá já estava quando cheguei. No painel, senha 97. Move-se em direção à segunda mesa uma senhora. No exato momento, o funcionário levanta-se, dá uma bela e explícita espreguiçada e a deixa sozinha. Dirige-se ao bebedouro, de onde, enquanto se abastece, que ninguém é de ferro, observa calmamente pelo vidro o agitado movimento na praça central do shopping. Resolvo dar uma circulada. Há seis na minha frente. Volto às 19h40. Senha 98. Não há mais onde sentar. Aproveitaram-se de minha ausência. Triplicou o número de pessoas. Aquele moço da cabine continua ao telefone. Agora sentado e mais calmo. Num esforço de resignação, encosto-me a uma disputada coluna. Fecho os olhos. Afinal, o que poderia vir após o silêncio daquele “mais”? Paciência? Tenacidade? Fôlego? Delírio? Quem está delirando sou eu! Desperto com o plim-plim do painel. É a minha vez! Ledo engano. Senha 99! São 20h16. Sinto pena do moço da cabine, que não consegue resolver o seu problema com alguém do outro lado da linha. Tento um esforço beneditino para me distrair. Não adianta. Idéia fixa naquele silêncio depois do “mais”. A senha 99 persiste. Concentro-me detidamente na frase. 20h32. Encaixo um conhecido e prazeroso palavrão depois do “mais”, jogo a senha no lixo e retiro-me da loja com a pior das indignações: não ter a quem reclamar. Até quando abusarão de nossa paciência?



muito bom! tb sou “cliente” Tim e já não tenho saco de sequer ligar pro call center, tamanho os desrespeitos sofridos… mas por outro lado, tem alguma operadora de telefonia nesse país que preste? Oi nunca mais!
abração
Setembro 4th, 2008 at 1:07 am