Odenildo Sena

18 Out

Era só o que faltava

Acredite, se quiser. Acostumado a viver de apagar incêndios, com ações de caráter sempre imediatista, o Brasil já convive com uma situação no mínimo inusitada: a carência de capital intelectual no setor tecnológico, notadamente nas chamadas engenharias, aponta para o comprometimento do avanço econômico do país. Diante desse flagra, denunciado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), começam a surgir idéias para amenizar o problema. Sabe-se que há um número considerável de engenheiros desenvolvendo atividades no exterior. Mas como trazer essa gente de volta, com salários pouco compatíveis em relação aos pagos nos países onde se encontram? E preciso privilegiar investimentos para a formação de mestres e doutores nas engenharias. Mas como obter retorno, se a demanda está minguando a cada ano e os estudantes da área são fisgados com ofertas irrecusáveis de estágio, o que muitas vezes redunda no atraso da conclusão do curso e torna pouco atrativa a pós-graduação? Outra saída é investir pesadamente em pesquisa. Mas de que adiantaria, se sobram recursos e faltam projetos e pesquisadores nessas áreas? A situação é muito mais séria do que se imagina, porque põe um freio no desenvolvimento, justo quando o país desfruta de investimentos assegurados e, o que é mais importante, toma-se plena consciência de que não há outro caminho para ele ocupar o seu merecido lugar ao sol senão pelo avanço da ciência e da inovação tecnológica. Penso que tudo o que foi, por pura provocação, contestado acima, precisa continuar sendo feito. Mas se faz necessário investir a longo prazo, a perder de vista. É preciso começar a formar hoje os engenheiros e os cientistas de amanhã. E é exatamente aqui que entra o grande mérito do Programa Ciência na Escola, o PCE, iniciativa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas em parceria com a Sect, Seduc e Semed. Pioneiro no país, ele investe no estímulo e nas condições para que alunos e professores do ensino público fundamental construam sua paixão pela ciência. E tudo como manda o figurino. Os projetos são avaliados por um comitê de especialistas, que julga o seu mérito, os participantes recebem bolsa de estudos da Fapeam e se obrigam, ao final de seis meses, a apresentar publicamente o produto de seu trabalho, em rigoroso processo de avaliação. Em outras palavras, o programa mira no presente para acertar no futuro, além de representar uma acertada política de inclusão social pela ciência.

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