Odenildo Sena

01 Dez

A sábia opção pelo avanço da ciência

Andei lendo alguns trechos do programa de governo de Barack Obama. Tenho acompanhado, também, seus depoimentos à mídia. Um deles, em especial, chamou-me atenção. Apesar da crise econômica, que tem resistido a doses cavalares de medicamentos, os Estados Unidos duplicarão seus recursos destinados à Ciência e Tecnologia. Para muitas cabeças iluminadas, uma decisão de tal natureza contraria a boa lógica. Afinal, se negras nuvens insistem em comprometer o céu de brigadeiro, pé no freio é a melhor solução. Inclusive aqui no Brasil, em tempos de triste memória, não só se pisou violentamente no freio como também se optou pelo desmonte do veículo e venda de suas peças a diferentes oportunistas de plantão. Estou-me referindo aos anos de poder do sociólogo-presidente. Lembro-me muito bem de que aquele longo e interminável período foi um dos mais tenebrosos e nocivos para a ciência em nosso país. As agências federais de fomento tiveram seus orçamentos drasticamente reduzidos. As universidades federais e os institutos de pesquisa foram entregues às moscas. Os laboratórios se transformaram em sucatas imprestáveis. Os docentes e pesquisadores padeceram oito anos sem nenhum tipo de reajuste em seu salário. As bolsas destinadas à formação de mestres e doutores pesquisadores tiveram seus valores congelados por igual tempo. Com as vagas no ensino superior público, não foi diferente. O mais paradoxal é que o grande maestro dessa orquestra não foi nenhum nordestino metalúrgico do ABC paulista. Mas, com a recomendação de que ninguém esqueça o que aqui acabo de lembrar, volto ao início deste meu texto, para dizer que a decisão de duplicar os investimentos em pesquisa, a despeito da crise, é, realmente, sábia e estratégica. Os americanos são sabedores de que o largo espaço de poder e liderança mundial que seu país ocupa, ditando regras aos quatro cantos do mundo, deve-se, principalmente, a sua hegemonia no campo da ciência e da inovação tecnológica, aqui, no sentido mais irrestrito do termo. E assim sempre foi na história da humanidade. Deu as cartas quem esteve cientificamente na dianteira. Estou falando isso para manifestar minha esperança e expectativa de que nossos atuais governantes, tanto na esfera federal quanto nas esferas estaduais, vejam na decisão do novo presidente americano uma referência de sabedoria e amor à pátria. Nenhuma crise deve ser razão para neglicenciar investimentos em pesquisa, porque nesse campo o tempo é irremediavelmente perdido e irrecuperável.

 

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