Odenildo Sena

25 Mai

Ciência: o Brasil cresce e aparece

Como sempre, em se tratando dessa área, a mídia brasileira deu pouca importância. O feito mereceria mais respeito. O Brasil deu um considerável salto no disputado ranking mundial de publicações científicas. Ocupa, agora, o 13º lugar. Saltou de 19.436 artigos em 2007 para 30.451 publicações em 2008. Os cinco primeiros colocados são Estados Unidos, China, Alemanha, Japão e Inglaterra. Na sequência, tem-se França, Canadá, Itália, Espanha, Índia, Austrália e Coreia do Sul. Para se ter ideia da vantagem americana, aquele país registrou a marca dos 340.638 artigos publicados, contra 112.804 da China, segundo colocado, e 35.569 da Coreia do Sul, 12º colocado. De um lado, o Brasil é líder na América Latina, à frente de países que já surfaram na dianteira, como Holanda, Suíça, Polônia e Suécia; de outro, passa a competir com grandes potências que sempre mantiveram invejável hegemonia nesse item. Não é pouca coisa. Principalmente se considerarmos o período relativamente curto desse feito, o que, por prudência, não deve ser desprezado, pois nos alerta para o fato de que o país ainda está em plena fase de consolidação do seu Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação e trabalha, ainda, na construção de uma cultura que torne as ações na área uma prática política de estado. De qualquer modo, podemos assegurar que o Brasil já coleciona experiências de comprovado sucesso que podem servir de modelo a ser partilhado com outros países. Ao lado de programas criados no âmbito do Ministério de Ciência e Tecnologia, como os Núcleos de Excelência e os recentes Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia, capitaneados pelo CNPq em parceria com as fundações estaduais de amparo à pesquisa, e aqueles destinados ao desenvolvimento tecnológico, administrados pela FINEP, há outras iniciativas inovadoras que podem adensar essa vitrine. A robusta parceria gestada aqui no Amazonas, que envolveu sete fundações estaduais de amparo à pesquisa, o CNPq e o Ministério da Saúde, e resultou na criação da Rede de Pesquisa em Malária, é um exemplo de mecanismo de apoio à ciência que pode ser referência para muitas outras ações, inclusive com a participação de outros países. Bem a propósito, a recém-lançada Rede amazônica de pesquisa e desenvolvimento de biocosméticos, envolvendo Amazonas, Pará, Maranhão, Tocantins e Acre indica uma clara tendência para uma forma de parceria que tem como principal mérito somar recursos, competências, infra-estrutura e esforços em prol de objetivos comuns e mais seguramente socializáveis. Não se pode desprezar, também, a valiosa experiência, de resultados comprovados, com os programas de iniciação científica, afinal, o fato de o Brasil ter ultrapassado a marca da formação de 10 mil doutores pesquisadores ao ano tem sua gênese assegurada na educação científica de milhares de crianças e jovens. A estrada, portanto, está construída. É preciso, agora, zelo e carinho permanentes para sua manutenção.

 

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