O grave pecado da omissão
Considero-me atento observador dos humores da mídia, particularmente a impressa. Para isso, faço um enorme esforço de tornar mais abrangentes e diversificadas minhas leituras. Ultimamente, tenho percebido a recorrência de um comportamento amargo que trabalha na perspectiva de em tudo encontrar pretexto para mostrar aos leitores um quadro sempre trágico e irremediável dos acontecimentos. Penso que isso se explica um pouco pela opção político-partidária velada ou ostensiva de alguns veículos de comunicação, que misturam interesses particulares e coletivos, e um pouco pela alimentação de certa cultura jornalística de que a tragédia, a denúncia e o fato negativo têm sempre um maior apelo junto à sociedade. Claro que situações dessa natureza constituem fatos jornalísticos e, como tal, devem ser levados até os leitores, mas não podem ser pretexto para o apagamento de ações qualificadas que, igualmente, merecem ser partilhadas com a sociedade, sob pena de se estar transitando no plano da parcialidade. Típico exemplo desse comportamento está na edição especial que a revista Veja lançou semana passada sobre a Amazônia. Afora o tom generalista e odiosamente preconceituoso de alguns textos, quesito à parte e merecedor de análise, mostra a região como terra arrasada, onde nada se faz que mereça algum valor. É fato, por exemplo, dizer que o campus da USP em Ribeirão Preto concentra mais pesquisadores do que em todo o Amazonas, mas é omissão grave deixar de registrar que apenas nos últimos seis anos a Fapeam contabiliza investimentos na formação de 326 novos doutores e 872 mestres e que isso representa um feito incomparável na história da ciência em nosso Estado. É fato, para ficar apenas nesses dois exemplos, dizer que pouco ainda se conhece da extraordinária biodiversidade da região e suas potencialidades como geradora de riqueza, consequência da histórica concentração de investimentos em ciência e tecnologia nas regiões Sul e Sudeste do país, mas é omissão grave deixar de registrar que a Fapeam é a quarta instituição do gênero no Brasil que mais investe em pesquisa e formação de recursos humanos, ao ponto de, só no ano passado, termos conquistado a instalação de cinco Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia, envolvendo o INPA e a UEA, com a missão de desenvolver pesquisa básica e aplicada em áreas estratégicas para o desenvolvimento sustentável do Estado. O bom jornalismo, como diria minha mãe, exige que se tenha um olho no peixe e outro no gato.


