Odenildo Sena

08 Out

Nunca antes na história

Não me lembro onde, mas li em algum lugar o texto de um experimentado jornalista que orientava os neófitos sobre as diversas possibilidades de abordagem de um acontecimento. Dizia ele que uma grande catástrofe, dependendo da perspectiva com que fosse mostrada ao leitor ou telespectador, poderia causar maior ou menor impacto ou apenas indiferença. A título de exemplo, uma coisa seria explorar jornalisticamente uma grande tragédia focando o texto na generalização do número de mortos e de casas e prédios destruídos; outra, no drama particular de um dos sobreviventes. Neste caso, com certeza o envolvimento e a cumplicidade seriam maiores. Entram em jogo o componente emotivo e a identificação com cada lance de coragem que sustentou a vitória do personagem. A perspectiva particular, portanto, apaga a real dimensão do acontecimento, naquele princípio figurado de que se enxerga a árvore, mas não a floresta. Tem sido assim o comportamento da maioria dos que têm por esporte criticar o governo do presidente Lula. A matéria exibida há poucos dias pela rede Globo, mostrando o quadro de adversidades vividas por uma parcela da população do Alto Rio Negro, é um desses enfoques em que se utiliza com fartura a parte com o propósito não revelado de comprometer o todo. E o que seria, numa pequena amostragem, esse todo? Valho-me de um artigo recente do insuspeito Delfim Netto, que aborda o que ele chama de “inegável melhora da qualidade de vida dos brasileiros”, exatamente no período que vai de 2004 aos dias de hoje, coincidindo, não por acaso, com a gestão do ex-metalúrgico de São Bernardo do Campo. Os indicadores da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (Pnad), realizada pelo IBGE, não ocuparam nenhum destaque especial na mídia, ainda que demonstrassem surpreendentes avanços sociais. O rendimento médio dos assalariados aumentou. Houve redução no número de desempregados em todo o país. As desigualdades de renda entre as regiões caíram. As desigualdades sociais diminuíram. Ao lado disso, para desespero daqueles que tudo politizam e torcem pelo quanto pior melhor, o Brasil – e ninguém discorda mais disso – está saindo da crise econômica melhor que seus parceiros e muito melhor que a maior potência mundial. Pra completar, as olimpíadas de 2016 serão no Brasil. Como lembra Delfim, Lula está credenciado a usar a frase “nunca antes na história deste País”. E sem medo de ser feliz. O resto é despeito da turma do sociólogo.

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