Odenildo Sena

10 Nov

A terceira via feminina

Não há mais apenas duas mulheres, Dilma Rousseff e Marina Silva, na condição de pré-candidatas à presidência da República. Poucos dias atrás, de fininho e sem que ninguém esperasse, eis que a senhora Míriam Leitão, colunista de O Globo, nos surpreendeu a todos e lançou-se, também, na disputa pela presidência. Esse fato novo quebra com a lengalenga monótona entre José Serra e Aécio Neves e o já indisfarçável desejo de um passar a rasteira no outro e representar o ninho tucano na disputa pelo cobiçado cargo. De certa forma, apimenta ainda mais a corrida, que agora passa a contar com três mancebos, aí incluído o senhor Ciro Gomes, e três mulheres, numa configuração nunca antes presenciada, pelo menos até onde alcança minha combalida memória. Confesso ter ficado impressionado com a desenvoltura e a firmeza do libelo de que se valeu a senhora Leitão para desbancar as pretensões de seus atuais colegas de oposição. Demonstrando não ser neófita no ramo, inicia seu discurso com um toque filosófico que marca todo o direcionamento do restante de sua fala: “O Brasil tem governo demais e oposição de menos”. Para o bom entendedor, ela bem que poderia parar por aí. Não satisfeita, porém, a empedernida candidata, ao mesmo tempo em que pratica seu esporte favorito – desancar Lula, ataca impiedosamente a oposição, taxando-a de omissa e covarde, porque tem medo da popularidade do presidente e não tem coragem de criticar o Bolsa Família, o carro-chefe de seus programas sociais. Não bastasse isso, aponta despreparo e incompetência em seus companheiros de trincheira, pondo em dúvida o conhecimento que eles têm, por exemplo, sobre “a lista de absurdos encontrados nas obras do PAC”. Para Serra e Aécio, só faltou Leitão dizer que não reúnem as mínimas condições de disputa, uma vez que mantêm um comportamento de conivência e cumplicidade com as ações do governo. Para o mineiro, sobrou uma crítica mais dura. Acusa-o de desinformado, ao aplaudir o presidente Lula quando do lançamento do PAC das cidades históricas, que ela lembra, num tom flagrantemente nostálgico, ser uma versão empobrecida de uma proposta de seu ídolo Fernando Henrique Cardoso. Pra encurtar a história, Míriam trata seus colegas de oposição como ginasianos amadores que muito têm a aprender em política. Não estou inventando nada. O texto está lá na página 14 da edição do Diário do Amazonas de 27 de outubro último. Basta acessar a edição eletrônica.

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