Odenildo Sena

08 Dez

A vez do Twitter

Juntei minha curiosidade ao estímulo de um dos filhos, que navega na área da Tecnologia da Informação, e me tornei um tuiteiro. A princípio tímido e contido, fui me familiarizando com a ferramenta e hoje reservo alguns minutos de meus atribulados dias para ver o que dizem aqueles que sigo e arriscar alguns updates, como se diz no jargão. Sabedor de que o Twitter tem um poder danado de estimular a dependência, gerando inclusive conflitos familiares e até divórcio, tenho procurado me disciplinar como quem toma seu tranquilizantezinho apenas quando a barra está no limite. A propósito, até li num desses dias que alguns hospitais americanos já contam com uma ala exclusiva destinada à recuperação de pacientes em avançado estágio de dependência da internet e de games. Para ser franco, prefiro ser dependente de outras coisas mais interessantes, embora nada tenha contra quem se entrega a esse ócio criativo que, para muitos, aliás, transformou-se em utilíssima ferramenta de trabalho e de negócios. Em várias circunstâncias, o Twitter já demonstrou a que veio, não só pela rapidez com que permite a livre circulação de informações, sem as amarras dos mecanismos tradicionais da mídia, como também pelo seu extraordinário efeito multiplicador. Penso mesmo que o Twitter, ao lado das outras mídias ancoradas na internet, representa mais uma grande dor de cabeça a desafiar a sobrevivência da mídia impressa. E aqui devo ressaltar que o “Dez Minutos” é um caso a parte. Mas continuo a achar, por outro lado, que o erro da mídia impressa está em querer continuar concorrendo com os avançados recursos disponibilizados na internet, aí incluídas as redes sociais. Ora, esses mecanismos têm se caracterizado pelo poder de síntese, como é o caso particular do Twitter, e pelos textos claramente analíticos e opinativos, como é o caso dos sites e blogs. O factual aparece, não poucas vezes, como simples acessório. Nessa corrida, a meu ver, perde a mídia impressa tradicional, que deixa de ocupar um precioso espaço que continua sendo seu: o da primazia dos fatos, dos textos mais densos, do jornalismo investigativo e das grandes reportagens. Quanto a mim, não abro mão das ferramentas maravilhosas oferecidas na internet, mas elas não satisfazem por inteiro o meu sentimento de leitor. Pode até ser cafonice ou saudosismo de minha parte, mas considero indispensável debruçar-me sobre a leitura do jornal impresso, numa empatia que a telinha do computador jamais preencherá.

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