Odenildo Sena

28 Dez

O balanço da ciência

Passei a conviver com a crença de que, em definitivo, aprendemos a lição. Inexiste povo ao longo da história que tenha conquistado poder e soberania sem que isso tenha passado pelo peso de seu capital intelectual e pela força de seu espírito inovador. Modernamente falando, que outra razão básica explicaria a indiscutível hegemonia americana no mundo? Por outro lado, mas sem mudar o foco, o que explicaria a preocupação dos americanos e a previsão dos analistas de que todo esse poder começa a perder força, senão pelo ímpeto e determinação de outro país que, se até há pouco tempo se contentava com sua grandeza física e populacional, hoje agiganta seus investimentos em capital intelectual, desenvolvimento científico e inovação tecnológica? Refiro-me à China, que, valendo-se dos mesmos ingredientes acima referidos, passou de mera produtora de quinquilharia a exportadora de avançadas tecnologias, para ficar num só exemplo. Por isso mesmo, acredito termos aprendido a dura lição. O balanço que se faz dos investimentos em ciência e inovação tecnológica no Brasil ao longo dos últimos sete anos, embora não represente, ainda, a revolução operada pelos chineses, já nos coloca em ritmo para sermos, num tempo não muito distante, uma grande potência. Essa previsão não vem sendo feita por nós, brasileiros, mas o lastro para isso é perceptível. Ao lado dos volumosos investimentos do Governo Federal, os estados há muito se deixaram contaminar por essa necessidade. O Amazonas, por exemplo, onde até 2003 não se contava com a cultura do investimento em Ciência e Tecnologia, hoje desponta como o quarto estado que, proporcionalmente, mais aplica recursos na área, atrás apenas de São Paulo, Minas e Rio de Janeiro. As instituições de ensino e pesquisa aqui sediadas testemunham isso. Apenas no item formação de recursos humanos altamente qualificados, foram concedidas no período 974 bolsas para formação de mestres, dos quais 691 já concluíram seus cursos. Em nível de doutorado, dos 360 bolsistas, 92 já se titularam. Se, até 2002, o Amazonas contava com apenas 433 doutores, em 2008 já alcançava 1.068, segundo dados do CNPq. Para 2010, uma feliz e ousada parceria com o Governo Federal vai permitir aplicar 35 milhões na formação de mais 170 pesquisadores doutores em áreas estratégicas, principalmente nas engenharias, nossas maiores carências. Por suas características e pelo que representa para o desenvolvimento científico e tecnológico do Estado, não tenho nenhum receio de afirmar que a Fapeam é a mais extraordinária obra do governador Eduardo Braga.

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