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	<title>Odenildo Sena</title>
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	<description>Creemos em sueños (Buena Vista Social Club)</description>
	<pubDate>Mon, 05 Jan 2009 23:50:17 +0000</pubDate>
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		<title>Maquiagem ortográfica</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Jan 2009 23:50:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odenildo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Ponto de vista]]></category>

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		<description><![CDATA[N&#227;o, nada de estresse com as novas regras decorrentes do acordo para unifica&#231;&#227;o ortogr&#225;fica da L&#237;ngua Portuguesa. N&#227;o se trata de nenhuma maluquice de &#250;ltima hora. Elas v&#234;m sendo gestadas desde 1986 e, para isso, muito se deve &#224; participa&#231;&#227;o do falecido fil&#243;logo Ant&#244;nio Houaiss. Ele fez lembrar &#224; &#233;poca, com muita sabedoria, os preju&#237;zos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: large;">N&atilde;o, nada de estresse com as novas regras decorrentes do acordo para unifica&ccedil;&atilde;o ortogr&aacute;fica da L&iacute;ngua Portuguesa. N&atilde;o se trata de nenhuma maluquice de &uacute;ltima hora. Elas v&ecirc;m sendo gestadas desde 1986 e, para isso, muito se deve &agrave; participa&ccedil;&atilde;o do falecido fil&oacute;logo Ant&ocirc;nio Houaiss. Ele fez lembrar &agrave; &eacute;poca, com muita sabedoria, os preju&iacute;zos lingu&iacute;sticos (isso mesmo, o trema saiu de moda, exce&ccedil;&atilde;o para os nomes pr&oacute;prios estrangeiros!) , pedag&oacute;gicos e pol&iacute;ticos trazidos a todos com a aus&ecirc;ncia de uniformidade no registro escrito de nossa l&iacute;ngua, por sinal a &uacute;nica no Ocidente com duas grafias diferentes &ndash; a europeia (Agora &eacute; assim mesmo! N&atilde;o s&atilde;o assinalados com acento gr&aacute;fico os ditongos ei e oi de palavras parox&iacute;tonas) e a brasileira. Mas, para melhor entendermos as consequ&ecirc;ncias (de novo, sem o trema!) pr&aacute;ticas dessas novidades, &eacute; prudente lembrarmos um princ&iacute;pio fundamental: a unifica&ccedil;&atilde;o ortogr&aacute;fica nada tem a ver com a uniformiza&ccedil;&atilde;o da L&iacute;ngua Portuguesa. Afinal, uma l&iacute;ngua n&atilde;o se resume apenas a um instrumento de comunica&ccedil;&atilde;o. Muito mais que isso, reflete um fen&ocirc;meno de natureza cultural, social, hist&oacute;rica e ideol&oacute;gica. Em outras palavras, a forma como a l&iacute;ngua nos &eacute; transmitida, no universo das mais diferentes circunst&acirc;ncias de conv&iacute;vio, vai determinar o modo particular de apreendermos o mundo em nosso redor, a&iacute; inclu&iacute;das nossas cren&ccedil;as, nossas convic&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, nossa sensibilidade, enfim, aquilo que somos e como somos e que est&aacute; al&eacute;m e aqu&eacute;m de nossa vontade. Queremos, com isso, dizer que uma l&iacute;ngua n&atilde;o se muda por decreto, pois se trata de um sistema complexo do qual a ortografia efetivamente n&atilde;o faz parte. Tanto que, para ser falante da L&iacute;ngua Portuguesa, eu n&atilde;o preciso dominar a sua ortografia. A condi&ccedil;&atilde;o &eacute; a conviv&ecirc;ncia com outros falantes da l&iacute;ngua. Da&iacute; os linguistas (que perderam o trema!) afirmarem que, diferentemente da l&iacute;ngua falada, que nos &eacute; transmitida, a l&iacute;ngua escrita &eacute; adquirida, resulta de um processo pedag&oacute;gico de aprendizagem. Dito de outra forma, o acordo ortogr&aacute;fico &ndash; sobre o qual incidem as mudan&ccedil;as em quest&atilde;o &ndash; resulta apenas de um esfor&ccedil;o de padroniza&ccedil;&atilde;o da forma gr&aacute;fica que n&atilde;o ter&aacute; nenhuma influ&ecirc;ncia determinante na cultura de brasileiros, portugueses ou angolanos, mas &eacute; muito bem-vindo, na medida em que, unificando e simplificando a parafern&aacute;lia da l&iacute;ngua escrita, contribuir&aacute; para uma maior aproxima&ccedil;&atilde;o entre as mais de 230 milh&otilde;es de almas que comungam do mesmo idioma. Ainda assim, vale ressaltar que as novas regras n&atilde;o ser&atilde;o assimiladas do dia para a noite. Representar&atilde;o um desafio a mais para professores e alunos e um cuidado extra para n&oacute;s que, por for&ccedil;a do h&aacute;bito, seremos frequentemente (assim mesmo, sem o trema!) flagrados acionando a tecla do computador com aquela maquiagem fora de moda.</span></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
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		<title>A doce ilusão do Natal</title>
		<link>http://www.odenildosena.info/2008/12/29/a-doce-ilusao-do-natal/</link>
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		<pubDate>Mon, 29 Dec 2008 23:59:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odenildo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Ponto de vista]]></category>

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		<description><![CDATA[N&#227;o sabia, ainda, que surpresa o aguardava naquela caixa diligentemente coberta por um colorido papel de presente. Acabara de acordar e curtia  aquele misto de ansiedade e controle. N&#227;o tinha certeza se corresponderia ou n&#227;o ao pedido detalhado em sua carta deixada ao p&#233; da min&#250;scula &#225;rvore de natal, mas se segurava, dando vida [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: large;">N&atilde;o sabia, ainda, que surpresa o aguardava naquela caixa diligentemente coberta por um colorido papel de presente. Acabara de acordar e curtia  aquele misto de ansiedade e controle. N&atilde;o tinha certeza se corresponderia ou n&atilde;o ao pedido detalhado em sua carta deixada ao p&eacute; da min&uacute;scula &aacute;rvore de natal, mas se segurava, dando vida longa &agrave; espera que o separava da emo&ccedil;&atilde;o de conferir o que escondia aquele embrulho. Abra&ccedil;ou a caixa com firmeza, como quem n&atilde;o pretende correr qualquer risco de perder um bem precioso, encarou com firmeza o olhar da m&atilde;e e, do alto dos seus experimentados cinco anos de idade, cravou com maestria e objetividade. Voc&ecirc; acredita no Papai Noel? Tentando dissimular a surpresa com a inesperada atitude, ela buscou cumplicidade no meu olhar e respondeu-lhe &agrave; altura da firmeza da pergunta. Acredito! Antes que a pergunta fosse refeita a mim, antecipei-me e bati firme na tecla. Claro que eu acredito! Seus olhinhos traduziram al&iacute;vio e seguran&ccedil;a. Estava dada a garantia para que iniciasse o lento ritual de abertura do pacote e resgatasse do interior da caixa de papel&atilde;o a primeira das pe&ccedil;as que compunham o presente. &Eacute; um Tiranossauro Rex! A exata classifica&ccedil;&atilde;o denunciava o precoce esp&iacute;rito investigador de paleont&oacute;logo, que o faz trazer na ponta da l&iacute;ngua os nomes mais esquisitos como Cryolophosaurus, Carnotaurus, Velociraptor, Oviraptor, Styracosaurus, Trigonosaurus, Iguanadon e por a&iacute; vai. Mas as d&uacute;vidas existenciais que o perseguiam naquela manh&atilde; de Natal n&atilde;o estavam todas resolvidas. S&uacute;bito, interrompeu a concentra&ccedil;&atilde;o, voltou-se para o nosso olhar de espectadores e nos conduziu at&eacute; a sala, onde as luzes da &aacute;rvore de natal ainda piscavam multicoloridamente. Queria saber agora como o Papai Noel havia atendido o seu pedido, se a carta a ele endere&ccedil;ada, posta h&aacute; alguns dias sob a &aacute;rvore, l&aacute; continuava do mesmo jeito, intacta. Grande equ&iacute;voco, penso com meus bot&otilde;es, subestimar a perspic&aacute;cia e o rigor dessas criaturinhas! Ensaiei a justificativa mais &oacute;bvia. O Papai Noel havia lido e deixado a carta no mesm&iacute;ssimo lugar. Certo de que o convencimento n&atilde;o fora suficiente, busquei desesperada ajuda de minha c&uacute;mplice, que veio em meu socorro. O Papai Noel era poderoso. Ele sabia o que cada crian&ccedil;a escrevia em sua cartinha. N&atilde;o houve mais questionamentos. N&atilde;o sei se at&eacute; o pr&oacute;ximo Natal o Eric ainda estar&aacute; acreditando na lenda. De minha parte, tudo bem. Tudo tem seu tempo e sua hora. Eu me senti grato e feliz ao descobrir, num certo Natal, que o Papai Noel l&aacute; de casa era a minha irm&atilde; Chaguinha. E nem por isso guardo m&aacute;goa alguma do bom velhinho.</span></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
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		<title>Meu conto de Natal</title>
		<link>http://www.odenildosena.info/2008/12/24/meu-conto-de-natal/</link>
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		<pubDate>Wed, 24 Dec 2008 18:08:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odenildo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Ponto de vista]]></category>

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		<description><![CDATA[Aquele dia era sempre diferente. Nem bem come&#231;ava e meu inquieto esp&#237;rito infantil ficava contabilizando o tempo, na ansiedade de que fosse consumido. Havia pressa em tudo. No caf&#233; da manh&#227;, a parte que me cabia daquele p&#227;o de meio quilo, h&#225;bil e milimetricamente dividido por minha m&#227;e entre oito irm&#227;os e agregados, era devorada [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: medium;">Aquele dia era sempre diferente. Nem bem come&ccedil;ava e meu inquieto esp&iacute;rito infantil ficava contabilizando o tempo, na ansiedade de que fosse consumido. Havia pressa em tudo. No caf&eacute; da manh&atilde;, a parte que me cabia daquele p&atilde;o de meio quilo, h&aacute;bil e milimetricamente dividido por minha m&atilde;e entre oito irm&atilde;os e agregados, era devorada numa rapidez pouco civilizada. As brincadeiras de rua com os pareceiros das casas vizinhas tinham pouca motiva&ccedil;&atilde;o. At&eacute; o banho e a algazarra debaixo da &uacute;nica torneira que abastecia a rua com &aacute;gua encanada, encanto cotidiano de toda a garotada, tinha pouca gra&ccedil;a. O desafio di&aacute;rio das escaladas na frondosa mangueira que havia no quintal, pelo simples prazer de p&ocirc;r as pr&oacute;prias m&atilde;os na fruta e gostosamente devor&aacute;-la nas alturas, n&atilde;o despertava nenhum interesse. Mesmo o improvisado balan&ccedil;o atado com cordas a um dos galhos da mangueira, instrumento de saltos colossais e perigosos, descansava sem ser importunado. Minha ilus&atilde;o era de que, ignorando a recheada agenda di&aacute;ria de brincadeiras, o tempo se tornasse c&uacute;mplice e apressasse a chegada da noite. Diferente dos outros dias, em que m&atilde;e precisava usar de sua autoridade, eu me impunha a mais r&iacute;gida disciplina e &agrave;s sete da noite j&aacute; estava recolhido &agrave; minha fianga. Era assim que ela sempre se referia &agrave; rede, debaixo da qual, especialmente naquele dia, eu arrumava com extremo zelo, lado a lado, meu &uacute;nico e desgastado par de chinelas. A ansiedade provocava uma indesej&aacute;vel ins&ocirc;nia, o que me fazia sentir com mais vigor, por baixo da rede, o vento frio que invadia o quarto pelas brechas deixadas no ch&atilde;o de madeira da casa. Apenas a exaust&atilde;o me apagava. Mesmo assim, o sono era interrompido sucessivas vezes. Eu me acordava sobressaltado, olhava para os furos no teto de zinco, a conferir alguma revela&ccedil;&atilde;o do dia, e verificava se havia algo ao lado de minhas chinelas. Sem novidades, entregava-me de novo ao cansa&ccedil;o acumulado e ao sono, agora mais profundo. A princ&iacute;pio longe, o som marcado por uma doce melodia foi-se aproximando e se misturando &agrave;quele estado em que a embriaguez do sono &eacute; t&atilde;o envolvente quanto a ansiedade de acordar. Num lampejo de lucidez, lembrei-me da raz&atilde;o das inquieta&ccedil;&otilde;es daquele dia e daquela longa noite, dei um salto para a beira da rede, segui a dire&ccedil;&atilde;o da cativante melodia e, tomado por um s&uacute;bito encantamento, pude visualizar um objeto c&ocirc;nico que refletia o multicolorido de um arco-&iacute;ris. Contagiado pela alegria, desci da fianga, deitei-me no ch&atilde;o e pude curtir sem pressa o giro sereno daquele m&aacute;gico pi&atilde;o.</span></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
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		<title>A ditadura das barrinhas</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Dec 2008 23:28:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odenildo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Ponto de vista]]></category>

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		<description><![CDATA[No exato momento em que planejo a escrita destas mal tra&#231;adas linhas, a voz el&#233;trica e pouco melodiosa da comiss&#225;ria invade o sal&#227;o da aeronave  e anuncia com uma ponta de orgulho na voz: &#8220;Senhoras e senhores, dentro de instantes daremos in&#237;cio ao nosso servi&#231;o de bordo. Neste v&#244;o serviremos sandu&#237;che frio com p&#227;o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: medium;">No exato momento em que planejo a escrita destas mal tra&ccedil;adas linhas, a voz el&eacute;trica e pouco melodiosa da comiss&aacute;ria invade o sal&atilde;o da aeronave  e anuncia com uma ponta de orgulho na voz: &ldquo;Senhoras e senhores, dentro de instantes daremos in&iacute;cio ao nosso servi&ccedil;o de bordo. Neste v&ocirc;o serviremos sandu&iacute;che frio com p&atilde;o de gergelim, queijo provolone, queijo cheda, presunto de peru, tomate e pat&ecirc; de milho, acompanhado de Coca-Cola, Coca-Cola light, guaran&aacute;, suco de laranja e suco de manga, cerveja Sol e Xingu&rdquo;. C&aacute; comigo, fico imaginando que, aos ouvidos e olhos de um marinheiro de primeira viagem, aquele elenco de tamanha variedade representa uma novidade absoluta, mesmo porque a express&atilde;o que inicia o an&uacute;ncio &ndash; &ldquo;neste v&ocirc;o&rdquo; &ndash; transmite o sentido de uma particularidade &uacute;nica, dando a entender que em outros v&ocirc;os o card&aacute;pio ser&aacute; diferente. Led&iacute;ssimo engano. Posso apostar que, naquele momento, em outras dezenas de v&ocirc;os, dezenas de outras comiss&aacute;rias estar&atilde;o anunciando, sem tirar nem p&ocirc;r uma palavra, exatamente o mesmo e vasto card&aacute;pio. A prop&oacute;sito, particularmente no caso do sandu&iacute;che, n&atilde;o caia na v&atilde; esperan&ccedil;a de identificar os ingredientes que recheiam o p&atilde;o. Ser&aacute; perda de tempo. Eles est&atilde;o no plano da absoluta virtualidade. Lembro-me de que essa situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; diferente em v&ocirc;os de uma outra empresa. Afora alguma varia&ccedil;&atilde;o no texto, a ess&ecirc;ncia &eacute; a mesma. &ldquo;Senhoras e senhores clientes, dentro de instantes daremos in&iacute;cio ao nosso servi&ccedil;o de bordo. Serviremos barrinhas de cereais de castanha e c&ocirc;co acompanhadas de&#8230;&rdquo;  E a ladainha vai na mesm&iacute;ssima dire&ccedil;&atilde;o, excluindo apenas as cervejas Sol e Xingu. Sinceramente, n&atilde;o sei o que norteia a l&oacute;gica desse perverso monop&oacute;lio da mesmice, que enquadra as pessoas no odioso plano da homogeneidade. Se o objetivo est&aacute; na redu&ccedil;&atilde;o de custos, para baratear o pre&ccedil;o das passagens a&eacute;reas &ndash; o que concretamente n&atilde;o vem acontecendo nos &uacute;ltimos tempos &ndash; , ainda assim &eacute; incompreens&iacute;vel que as empresas n&atilde;o ofere&ccedil;am diversidade dentro dessa margem de custos. Foi-se o tempo em que o servi&ccedil;o de bordo, por mais elementar que possa parecer, era o momento mais esperado de uma viagem a&eacute;rea. Chegava-se ao respeito de regionalizar-se a oferta.  Guardo na mem&oacute;ria algumas vezes em que me deliciei com um ensopadinho de pirarucu com arroz e verduras. Quanta saudade do glamour da velha e boa Varig. Hoje, quem diria. Vivemos a mais pobre, surrada e humilhante das ditaduras. A ditadura das barrinhas de cereais.</span></p>
<p style="text-align: justify;">
&nbsp;</p>
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		<title>Parâmetros de civilização</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Dec 2008 00:19:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odenildo</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Sei que n&#227;o &#233; assunto ideal e agrad&#225;vel para se iniciar um artigo. Alguns v&#227;o dizer que estou baixando o n&#237;vel, outros, que a nobreza do espa&#231;o merece coisa melhor. N&#227;o importa. Conto o que vi e afetou o meu nobre esp&#237;rito de pessoa civilizada. Entrei em um banheiro p&#250;blico e l&#225; estava, improvisado em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: medium;">Sei que n&atilde;o &eacute; assunto ideal e agrad&aacute;vel para se iniciar um artigo. Alguns v&atilde;o dizer que estou baixando o n&iacute;vel, outros, que a nobreza do espa&ccedil;o merece coisa melhor. N&atilde;o importa. Conto o que vi e afetou o meu nobre esp&iacute;rito de pessoa civilizada. Entrei em um banheiro p&uacute;blico e l&aacute; estava, improvisado em um amassado peda&ccedil;o de papel fixado &agrave; parede com a ajuda de quatro assim&eacute;tricas tiras de fita adesiva, o inusitado e surpreendente aviso, escrito com pincel e caligrafia gra&uacute;da e firme de quem fora bem alfabetizado: &ldquo;N&atilde;o fa&ccedil;a necessidades fora do vaso sanit&aacute;rio&rdquo;. Permiti-me um enorme esfor&ccedil;o para tentar compreender as raz&otilde;es pelas quais, diante do mais evidente fim a que se presta um vaso, algu&eacute;m, deliberadamente, contraria esse acordo t&aacute;cito entre os seres humanos desde tempos imemoriais. A quest&atilde;o, ali&aacute;s, vai al&eacute;m desse fato. Sabe-se que esse milenar espa&ccedil;o, por muitos com justa sabedoria e nobreza designado de trono, historicamente sempre ensejou momentos da mais alta contri&ccedil;&atilde;o e recolhimento que se desdobraram nas mais prof&iacute;cuas teses filos&oacute;ficas, em grandes solu&ccedil;&otilde;es para os dilemas aparentemente sem sa&iacute;da da humanidade, em momentos de auto-confiss&atilde;o e arrependimento, nas mais profundas e concentradas leituras e nas mais dignificantes e diversas decis&otilde;es que vieram a nortear o futuro da presen&ccedil;a do ser humano nesse vasto e complexo universo. Dif&iacute;cil, repito, entender as raz&otilde;es de um gesto de tamanho radicalismo, sen&atilde;o pela l&oacute;gica da barb&aacute;rie e da ignor&acirc;ncia. Aquele aviso ficou martelando em minha mem&oacute;ria. Dia desses, numa dessas horas de puro recolhimento, entabulei uma reflex&atilde;o que me levou a construir a tese, naturalmente sujeita &agrave; contesta&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, de que o grau maior ou menor de civilidade de um povo &eacute; proporcional &agrave; sua conviv&ecirc;ncia com um maior ou menor n&uacute;mero de avisos espalhados pelos quatro cantos de uma cidade. Neste item, arrisco-me a dizer que somos imbat&iacute;veis. Estou aqui me lembrando de alguns. Ap&oacute;s usar o banheiro, acione a descarga. N&atilde;o urine fora do vaso. N&atilde;o jogue objetos no vaso sanit&aacute;rio. N&atilde;o jogue absorvente no vaso. N&atilde;o ultrapasse a faixa de seguran&ccedil;a. Aguarde antes da faixa amarela. N&atilde;o ultrapasse a velocidade permitida. D&ecirc; prefer&ecirc;ncia ao pedestre. Lugar de lixo &eacute; no lixo. N&atilde;o pule a cerca: cachorro feroz. N&atilde;o fale alto nesta biblioteca. N&atilde;o pise a grama. N&atilde;o ultrapasse a faixa amarela. Respeite a fila.  Pensando bem - e para encerrar por hora essa reflex&atilde;o &ndash; , diria que a gravidade n&atilde;o est&aacute; apenas na prolifera&ccedil;&atilde;o e na diversidade de avisos com que convivemos, mas sobretudo naquilo que eles representam de &oacute;bvio. Francamente falando, ignorar o vaso &eacute; demais. &Eacute; o imp&eacute;rio da estupidez.</span></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>A sábia opção pelo avanço da ciência</title>
		<link>http://www.odenildosena.info/2008/12/01/a-sabia-opcao-pelo-avanco-da-ciencia/</link>
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		<pubDate>Mon, 01 Dec 2008 21:51:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odenildo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Ponto de vista]]></category>

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		<description><![CDATA[Andei lendo alguns trechos do programa de governo de Barack Obama. Tenho acompanhado, tamb&#233;m, seus depoimentos &#224; m&#237;dia. Um deles, em especial, chamou-me aten&#231;&#227;o. Apesar da crise econ&#244;mica, que tem resistido a doses cavalares de medicamentos, os Estados Unidos duplicar&#227;o seus recursos destinados &#224; Ci&#234;ncia e Tecnologia. Para muitas cabe&#231;as iluminadas, uma decis&#227;o de tal [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: medium;">Andei lendo alguns trechos do programa de governo de Barack Obama. Tenho acompanhado, tamb&eacute;m, seus depoimentos &agrave; m&iacute;dia. Um deles, em especial, chamou-me aten&ccedil;&atilde;o. Apesar da crise econ&ocirc;mica, que tem resistido a doses cavalares de medicamentos, os Estados Unidos duplicar&atilde;o seus recursos destinados &agrave; Ci&ecirc;ncia e Tecnologia. Para muitas cabe&ccedil;as iluminadas, uma decis&atilde;o de tal natureza contraria a boa l&oacute;gica. Afinal, se negras nuvens insistem em comprometer o c&eacute;u de brigadeiro, p&eacute; no freio &eacute; a melhor solu&ccedil;&atilde;o. Inclusive aqui no Brasil, em tempos de triste mem&oacute;ria, n&atilde;o s&oacute; se pisou violentamente no freio como tamb&eacute;m se optou pelo desmonte do ve&iacute;culo e venda de suas pe&ccedil;as a diferentes oportunistas de plant&atilde;o. Estou-me referindo aos anos de poder do soci&oacute;logo-presidente. Lembro-me muito bem de que aquele longo e intermin&aacute;vel per&iacute;odo foi um dos mais tenebrosos e nocivos para a ci&ecirc;ncia em nosso pa&iacute;s. As ag&ecirc;ncias federais de fomento tiveram seus or&ccedil;amentos drasticamente reduzidos. As universidades federais e os institutos de pesquisa foram entregues &agrave;s moscas. Os laborat&oacute;rios se transformaram em sucatas imprest&aacute;veis. Os docentes e pesquisadores padeceram oito anos sem nenhum tipo de reajuste em seu sal&aacute;rio. As bolsas destinadas &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de mestres e doutores pesquisadores tiveram seus valores congelados por igual tempo. Com as vagas no ensino superior p&uacute;blico, n&atilde;o foi diferente. O mais paradoxal &eacute; que o grande maestro dessa orquestra n&atilde;o foi nenhum nordestino metal&uacute;rgico do ABC paulista. Mas, com a recomenda&ccedil;&atilde;o de que ningu&eacute;m esque&ccedil;a o que aqui acabo de lembrar, volto ao in&iacute;cio deste meu texto, para dizer que a decis&atilde;o de duplicar os investimentos em pesquisa, a despeito da crise, &eacute;, realmente, s&aacute;bia e estrat&eacute;gica. Os americanos s&atilde;o sabedores de que o largo espa&ccedil;o de poder e lideran&ccedil;a mundial que seu pa&iacute;s ocupa, ditando regras aos quatro cantos do mundo, deve-se, principalmente, a sua hegemonia no campo da ci&ecirc;ncia e da inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica, aqui, no sentido mais irrestrito do termo. E assim sempre foi na hist&oacute;ria da humanidade. Deu as cartas quem esteve cientificamente na dianteira. Estou falando isso para manifestar minha esperan&ccedil;a e expectativa de que nossos atuais governantes, tanto na esfera federal quanto nas esferas estaduais, vejam na decis&atilde;o do novo presidente americano uma refer&ecirc;ncia de sabedoria e amor &agrave; p&aacute;tria. Nenhuma crise deve ser raz&atilde;o para neglicenciar investimentos em pesquisa, porque nesse campo o  tempo &eacute; irremediavelmente perdido e irrecuper&aacute;vel.</span></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Inovar, apesar da crise</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Nov 2008 00:45:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odenildo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Ponto de vista]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde o in&#237;cio do governo Lula, tem-se investido muito em pesquisa tecnol&#243;gica no pa&#237;s. As ag&#234;ncias de fomento vinculadas ao Minist&#233;rio de Ci&#234;ncia e Tecnologia (MCT), tanto a Finep quanto o CNPq, v&#234;m aumentando substancialmente seus or&#231;amentos e dando uma demonstra&#231;&#227;o de rara compet&#234;ncia na execu&#231;&#227;o desses recursos. Ao lado disso, h&#225; um cen&#225;rio complementar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: medium;">Desde o in&iacute;cio do governo Lula, tem-se investido muito em pesquisa tecnol&oacute;gica no pa&iacute;s. As ag&ecirc;ncias de fomento vinculadas ao Minist&eacute;rio de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (MCT), tanto a Finep quanto o CNPq, v&ecirc;m aumentando substancialmente seus or&ccedil;amentos e dando uma demonstra&ccedil;&atilde;o de rara compet&ecirc;ncia na execu&ccedil;&atilde;o desses recursos. Ao lado disso, h&aacute; um cen&aacute;rio complementar novo e importante no horizonte. O surgimento de novas funda&ccedil;&otilde;es de amparo &agrave; pesquisa nos estados, ao lado das poucas mais antigas e tradicionais, tem representado um extraordin&aacute;rio suporte nesse esfor&ccedil;o conjunto para consolidar, ainda que com bastante atraso, a cultura da inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica no Brasil. Hoje s&atilde;o 23 funda&ccedil;&otilde;es estaduais cujos or&ccedil;amentos para  o corrente ano significaram no seu total um aporte de 1,7 bilh&atilde;o. S&atilde;o recursos estaduais que, somados aos federais, sob forma de salutar parceria, t&ecirc;m permitido um avan&ccedil;o na ci&ecirc;ncia brasileira como nunca visto. Quem est&aacute; inserido nesse contexto sabe muito bem do que estou falando. Mas eu  me  referia anteriormente &agrave; cultura da inova&ccedil;&atilde;o, pe&ccedil;a-chave nessa vertente da pol&iacute;tica de ci&ecirc;ncia e tecnologia empreendida nos &uacute;ltimos anos e um dos retornos j&aacute; vis&iacute;veis dos investimentos na modalidade subven&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica. Estimular essa cultura, principalmente no &acirc;mbito das micro e pequenas empresas, promove o convencimento de que se elas n&atilde;o estiverem sintonizadas com o avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico, traduzido em processos e produtos inovadores, estar&atilde;o fadadas a parar no tempo, a perder sua competitividade, num mercado globalizado altamente exigente, a definhar e a sumir do mapa. A compreens&atilde;o dessa evid&ecirc;ncia tem gerado um clima animador e favor&aacute;vel nos quatro cantos do pa&iacute;s. Por outro lado, esse quadro positivo come&ccedil;a a conviver com as adversidades da crise econ&ocirc;mica, que come&ccedil;a a respingar no Brasil. &Eacute; preciso, entretanto, um extraordin&aacute;rio esfor&ccedil;o dos governos federal e estaduais para n&atilde;o comprometer o nosso ritmo do avan&ccedil;o da ci&ecirc;ncia. Afinal, a hist&oacute;ria tem dado exemplos contundentes de que a sustentabilidade e a independ&ecirc;ncia de um pa&iacute;s, o que projeta a sua soberania &eacute; ele estar cientificamente &agrave; frente de outras na&ccedil;&otilde;es. E, nesse campo, tempo perdido n&atilde;o se recupera. A esperan&ccedil;a &eacute; que, a despeito da crise, se ela se intensificar ainda mais, nossos governantes mantenham firme a sensibilidade para preservar os investimentos, sem os quais o Brasil dar&aacute; um perigoso e grande passo atr&aacute;s, pondo a perder as tantas conquistas acumuladas nos &uacute;ltimos anos.</span></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
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		<title>O jeito TAM de voar</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Nov 2008 21:00:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odenildo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Ponto de vista]]></category>

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		<description><![CDATA[Sou admirador extremado de frases publicit&#225;rias. Principalmente daquelas que n&#227;o deixam espa&#231;o para que o suposto destinat&#225;rio se coloque fora de seu raio de alcance. Talvez seja uma forma de compensar minha frustra&#231;&#227;o por n&#227;o ter buscado a carreira. Gosto muito, por exemplo, daquela frase enunciada pelos comiss&#225;rios da TAM, ao final de cada v&#244;o: [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: medium;">Sou admirador extremado de frases publicit&aacute;rias. Principalmente daquelas que n&atilde;o deixam espa&ccedil;o para que o suposto destinat&aacute;rio se coloque fora de seu raio de alcance. Talvez seja uma forma de compensar minha frustra&ccedil;&atilde;o por n&atilde;o ter buscado a carreira. Gosto muito, por exemplo, daquela frase enunciada pelos comiss&aacute;rios da TAM, ao final de cada v&ocirc;o: &ldquo;Sabemos que a escolha da companhia a&eacute;rea &eacute; uma decis&atilde;o do cliente. Obrigado por escolherem a TAM&rdquo;. N&atilde;o importa a conting&ecirc;ncia que levou o passageiro a estar naquela aeronave. Pode ter sido at&eacute; falta de op&ccedil;&atilde;o, afinal, o mercado brasileiro n&atilde;o &eacute; nada competitivo, ou mesmo puro alheamento, ou, ainda, oportunidade de um pre&ccedil;o inferior. O fato &eacute; que a segunda parte da frase ratifica, de forma indefens&aacute;vel, que o passageiro escolheu convicta e livremente a empresa. Mas h&aacute; outras frases, bem formuladas, com o prop&oacute;sito deliberado de n&atilde;o colocar o usu&aacute;rio contra a parede. Apesar de permitirem toda e qualquer forma de encaixe, conduzem habilmente &agrave; refer&ecirc;ncia ao produto originalmente anunciado, cumprindo, assim, o objetivo maior da publicidade, que &eacute; colar no consumidor determinada marca. Estou me lembrando do an&uacute;ncio do publicit&aacute;rio Washington Olivetto sobre o primeiro suti&atilde;. Quanta repercuss&atilde;o ele teve e tem at&eacute; hoje, com a substitui&ccedil;&atilde;o do nome do produto pela conveni&ecirc;ncia de quem enuncia a frase. Tudo pela sua leveza, empatia e graciosidade. H&aacute; outros enunciados publicit&aacute;rios, entretanto, que, dependendo das circunst&acirc;ncias, permitem certos encaixes que ressaltam muito bem as pisadas na bola da empresa anunciada. Estou agora me lembrando de uma outra frase que se refere ao &ldquo;Jeito TAM de voar&rdquo;. Dia desses, cheguei ao aeroporto de Manaus &agrave;s 13h30. O v&ocirc;o partiria &agrave;s 15h para S&atilde;o Paulo. Feita a chamada, todos os passageiros embarcamos. Acomodados, aguardamos uns cinq&uuml;enta minutos at&eacute; ouvirmos &ldquo;tripula&ccedil;&atilde;o, portas em manual&rdquo;. Aeronave em deslocamento, concentro-me na leitura. Decorrido algum tempo, que me pareceu t&atilde;o longo, ou&ccedil;o, de novo, a mesma frase. Est&aacute;vamos de volta &agrave; ponte. Problema t&eacute;cnico em uma das turbinas. Mais um longo tempo e fomos convidados a desembarcar. Mais um longo tempo no sagu&atilde;o e fomos convidados a embarcar outra vez. Mais um longo tempo, &ldquo;portas em manual&rdquo;. Agora vai! Aeronave em movimento, concentro-me na leitura. Mais um longo tempo e desperto: &ldquo;portas em manual&rdquo;.  Outra vez, convidados a desembarcar. V&ocirc;o cancelado. Mais de duzentos passageiros tontos, perdidos no sagu&atilde;o. Nenhuma orienta&ccedil;&atilde;o. Servi&ccedil;o de som emudecido. Nenhuma viv&#8217;alma vestida de vermelho. Reclamar a quem?  &Agrave;s 19h30 consigo minha mala de volta. Seis horas de aeroporto! Sem sair do ch&atilde;o. Volto pra casa abatido, desencantado do Infraero e da Anac. Seria esse o jeito TAM de ser irrespons&aacute;vel?  </span></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
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		<title>A brava resistência de Cuba</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Nov 2008 20:15:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odenildo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Ponto de vista]]></category>

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		<description><![CDATA[Abro o Di&#225;rio do Amazonas. Desvio, de prop&#243;sito, das mat&#233;rias sobre economia. J&#225; estou sem paci&#234;ncia para ag&#252;entar os humores do tal mercado. Ainda assim, n&#227;o resisto a uma declara&#231;&#227;o, no m&#237;nimo, graciosa do presidente Obama. Ele afirma que a crise &#233; global, por isso a solu&#231;&#227;o tem que envolver a todos. Na leitura da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: medium;">Abro o <i>Di&aacute;rio do Amazonas</i>. Desvio, de prop&oacute;sito, das mat&eacute;rias sobre economia. J&aacute; estou sem paci&ecirc;ncia para ag&uuml;entar os humores do tal mercado. Ainda assim, n&atilde;o resisto a uma declara&ccedil;&atilde;o, no m&iacute;nimo, graciosa do presidente Obama. Ele afirma que a crise &eacute; global, por isso a solu&ccedil;&atilde;o tem que envolver a todos. Na leitura da declara&ccedil;&atilde;o, eu j&aacute; me permito construir paralelamente outra: &ldquo;n&oacute;s  fizemos a farra, mas os preju&iacute;zos t&ecirc;m que ser divididos com todos voc&ecirc;s&rdquo;. Tivesse em minha plena meninice, eu saberia muito bem responder a ele com aquela famosa hist&oacute;ria da pimenta, acrescida daquela frase que era muito do gosto de minha m&atilde;e: &ldquo;quem pariu Mateus que o embale&rdquo;. Passo a p&aacute;gina e uma pequena manchete no cantinho me chama a aten&ccedil;&atilde;o. Pela d&eacute;cima s&eacute;tima vez a Assembl&eacute;ia Geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas aprovou uma resolu&ccedil;&atilde;o pedindo o fim do embargo econ&ocirc;mico e comercial imposto pelos EUA a Cuba h&aacute; meio s&eacute;culo. S&oacute; que, desta vez, com um placar arrasador. Apenas tr&ecirc;s, dos 102 pa&iacute;ses que integram a ONU, incluindo naturalmente os donos da crise econ&ocirc;mica mundial, votaram contra. Ato cont&iacute;nuo, ativo a mem&oacute;ria e me vem &agrave; lembran&ccedil;a a recente e primeira viagem feita &agrave; Ilha, sonho quase t&atilde;o antigo quanto o tempo de pura prepot&ecirc;ncia americana contra aquele min&uacute;sculo pa&iacute;s do Caribe. Nada como ler, conhecer e conviver, ainda que por pouco tempo, para formar convic&ccedil;&atilde;o das raz&otilde;es do &oacute;dio de meio s&eacute;culo que os americanos nutrem por Fidel e seu regime. Note-se que, de prop&oacute;sito, exclu&iacute; Cuba desse &oacute;dio. Sim, porque do ponto de vista geogr&aacute;fico e f&iacute;sico tudo no pa&iacute;s, principalmente em Havana, me levou a crer o quanto os americanos adoravam e se deliciavam com os prazeres postos a sua disposi&ccedil;&atilde;o por Fulgencio Batista, uma esp&eacute;cie de capataz a servi&ccedil;o do tio Sam. Os vest&iacute;gios dessa outra farra, inevitavelmente corro&iacute;dos pelos cinq&uuml;enta anos desde a Revolu&ccedil;&atilde;o Cubana, espalham-se por todos os lados em Havana. As centenas e centenas de carros americanos das d&eacute;cadas de 40 e 50, todos modelos de extremo luxo para a &eacute;poca, circulam sofregamente, alguns, por puro milagre; outros, pelo excesso de zelo e conserva&ccedil;&atilde;o. Se, de um lado, representam a enorme capacidade de reinven&ccedil;&atilde;o e resist&ecirc;ncia do povo cubano, de outro, simbolizam o que foi uma ostensiva e descabida intromiss&atilde;o em terra alheia. Um antigo exemplo de que os americanos est&atilde;o acostumados a promover a farra e cobrar a fatura de seu preju&iacute;zo e estupidez ao resto do mundo.</span></p>
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		<title>O mercado no divã</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Nov 2008 01:22:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odenildo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Ponto de vista]]></category>

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		<description><![CDATA[Os comentaristas econ&#244;micos me causam inc&#244;modo. Com espantosa naturalidade, atribuem personalidade e car&#225;ter a esse ente abstrato e materialmente inexistente chamado mercado de capitais, transferindo-lhe rea&#231;&#245;es e sentimentos exclusivos do ser humano. Incomum, por exemplo, ouvirmos que o mercado, num dado momento, ficou inquieto e nervoso em conseq&#252;&#234;ncia das declara&#231;&#245;es de fulano ou sicrano? Ou, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: medium;">Os comentaristas econ&ocirc;micos me causam inc&ocirc;modo. Com espantosa naturalidade, atribuem personalidade e car&aacute;ter a esse ente abstrato e materialmente inexistente chamado mercado de capitais, transferindo-lhe rea&ccedil;&otilde;es e sentimentos exclusivos do ser humano. Incomum, por exemplo, ouvirmos que o mercado, num dado momento, ficou inquieto e nervoso em conseq&uuml;&ecirc;ncia das declara&ccedil;&otilde;es de fulano ou sicrano? Ou, ainda, que amanheceu disposto, provocando otimismo nos investidores, mas ao final do dia teria se estressado com a incerteza nos rumos da pol&iacute;tica americana, provocando uma forte queda nos &iacute;ndices das bolsas de valores? Essa odiosa personifica&ccedil;&atilde;o acaba rimando com a ilus&atilde;o de que o mercado encarna a figura de um sujeito sens&iacute;vel, emotivo, respons&aacute;vel e extremamente preocupado com o bem-estar do pr&oacute;ximo. E esse perverso jogo ganha extremo realismo com o papel coadjuvante da m&iacute;dia. Dia desses, um certo jornal estampava em sua primeira p&aacute;gina que nem Freud teria explica&ccedil;&otilde;es para o atual comportamento do mercado. Simplesmente c&ocirc;mico, se n&atilde;o fosse tr&aacute;gico. Pois n&atilde;o &eacute; que a realidade imitou a fic&ccedil;&atilde;o! O mercado acabou sendo o tema paralelo mais discutido entre os participantes do recente Congresso Brasileiro de Psiquiatria reunidos em Bras&iacute;lia! Ali&aacute;s, n&atilde;o exatamente o mercado, mas as tr&aacute;gicas conseq&uuml;&ecirc;ncias &ndash; para entrar na onda da personifica&ccedil;&atilde;o &ndash; de sua expl&iacute;cita irresponsabilidade. Os especialistas ressaltam que as crises financeiras representam um elemento propulsor para o aumento das doen&ccedil;as ps&iacute;quicas, do consumo de &aacute;lcool e de drogas e que as pessoas com predisposi&ccedil;&atilde;o para determinados dist&uacute;rbios mentais, levadas pelo estresse e pela aus&ecirc;ncia de perspectiva, tornam-se propensas a atitudes extremas, como o suic&iacute;dio. Mas a trag&eacute;dia n&atilde;o termina por a&iacute;. Mesmo quem n&atilde;o colocou um tost&atilde;o sequer de seu parco dinheirinho nas m&atilde;os do mercado sofrer&aacute; as conseq&uuml;&ecirc;ncias dessa orgia na forma de recess&atilde;o, menor crescimento econ&ocirc;mico, desemprego e fome. Isso &eacute; o que verdadeiramente se chama de distribui&ccedil;&atilde;o de lucros entre poucos (quando o mercado est&aacute; um bom camarada) e socializa&ccedil;&atilde;o da desgra&ccedil;a entre todos (quando ele resolve ficar mal-humorado).<br />
</span></p>
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