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	<title>Odenildo Sena</title>
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	<description>Creemos em sueños (Buena Vista Social Club)</description>
	<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 23:48:37 +0000</pubDate>
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		<title>A ciência chega à escola</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 23:48:37 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[A princ&#237;pio, a a&#231;&#227;o foi vista com descren&#231;a ou quase desprezo. Afinal, pesquisa &#233; coisa pra gente grande, pra mestres e doutores recolhidos aos laborat&#243;rios das universidades e dos institutos de pesquisa. Led&#237;ssimo engano. Apesar do curto tempo da experi&#234;ncia, a pr&#225;tica tem demonstrado que o espa&#231;o de sala de aula no ensino fundamental e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><span style="font-size: large">A princ&iacute;pio, a a&ccedil;&atilde;o foi vista com descren&ccedil;a ou quase desprezo. Afinal, pesquisa &eacute; coisa pra gente grande, pra mestres e doutores recolhidos aos laborat&oacute;rios das universidades e dos institutos de pesquisa. Led&iacute;ssimo engano. Apesar do curto tempo da experi&ecirc;ncia, a pr&aacute;tica tem demonstrado que o espa&ccedil;o de sala de aula no ensino fundamental e m&eacute;dio abriga um universo inesgot&aacute;vel de talentos para a pesquisa que precisam apenas de um componente chamado est&iacute;mulo e oportunidade. A receita est&aacute; em n&atilde;o fazer nada diferente daquilo que tradicionalmente acontece quando se financia pesquisa para mestres e doutores. Ou seja, concorr&ecirc;ncia p&uacute;blica, por meio de editais, avalia&ccedil;&atilde;o do m&eacute;rito do projeto por especialistas das diferentes &aacute;reas do conhecimento e rigoroso acompanhamento atrav&eacute;s de relat&oacute;rios t&eacute;cnicos parciais e final, para aferi&ccedil;&atilde;o dos resultados alcan&ccedil;ados. A soma desses ingredientes &eacute; a receita que vem sustentando o Programa Ci&ecirc;ncia na Escola (PCE), iniciativa da Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa do Estado do Amazonas em parceria com a Seduc e a Semed. Professoras e professores que t&ecirc;m seus projetos aprovados agregam em torno de si uma equipe de cinco alunos e alunas, todos bolsistas do programa, e, &agrave; medida que desenvolvem seus projetos de pesquisa, contribuem para a forma&ccedil;&atilde;o de uma nova cultura. A escola que, por tradi&ccedil;&atilde;o, &eacute; apenas reprodutora do saber, torna-se, tamb&eacute;m, fonte produtora de novos conhecimentos, o que representa um componente inovador e marcante no processo de forma&ccedil;&atilde;o, sobretudo por estimular talentos que poderiam ser desperdi&ccedil;ados e os encaminhar muito cedo para a carreira cient&iacute;fica, estrada que o Brasil e, particularmente, o nosso estado, t&ecirc;m muito a percorrer, a despeito do muito que se tem feito nos &uacute;ltimos sete anos. O oportuno de falar sobre o PCE est&aacute; no fato de que, nesta quarta e quinta-feira, na Arena Amadeu Teixeira, acontecer&aacute; a mostra p&uacute;blica da edi&ccedil;&atilde;o 2009 do programa, verdadeira maratona para apresenta&ccedil;&atilde;o dos resultados de 150 projetos desenvolvidos nas escolas p&uacute;blicas municipais e estaduais de Manaus. &Oacute;tima chance dos envolvidos prestarem contas &agrave; sociedade. &Oacute;tima chance de a sociedade conhecer e conferir os resultados que fazem o sucesso do programa.</span></p>
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		<title>Paixão e cinema</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Mar 2010 00:32:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odenildo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Ponto de vista]]></category>

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		<description><![CDATA[O cinema foi minha paix&#227;o e minha vida por tantos anos! Dividia isso apenas com o dever de of&#237;cio, marcado de perto por dona Maria do Carmo, de frequentar as aulas do gin&#225;sio no Marqu&#234;s de Santa Cruz, em S&#227;o Raimundo. Mas o cinema levava sempre vantagem, o que certamente explica o meu desempenho mediano [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><span style="font-size: large">O cinema foi minha paix&atilde;o e minha vida por tantos anos! Dividia isso apenas com o dever de of&iacute;cio, marcado de perto por dona Maria do Carmo, de frequentar as aulas do gin&aacute;sio no Marqu&ecirc;s de Santa Cruz, em S&atilde;o Raimundo. Mas o cinema levava sempre vantagem, o que certamente explica o meu desempenho mediano nas matem&aacute;ticas e geografias da vida. Fazia qualquer neg&oacute;cio para n&atilde;o me privar daquele fascinante mundo, sem fronteiras entre a vida e a fic&ccedil;&atilde;o. Tempo houve em que fazia parte do seleto grupo comandado pelo turco Davi Alcides, zelador e porteiro e encarregado da nobre miss&atilde;o de todos os dias, a partir das nove da manh&atilde;, fazer a faxina no sal&atilde;o, que abrigava em torno de 400 poltronas da marca Cimo, que precisavam estar &agrave; altura dos exigentes frequentadores da sess&atilde;o das 20h. Era um ritual que come&ccedil;ava pela varri&ccedil;&atilde;o de cada fileira, para recolher as centenas de papeis de bombons da safra da noite anterior, seguida da aplica&ccedil;&atilde;o, poltrona a poltrona, do velho e bom &oacute;leo de peroba, que dava o brilho, mas, na nossa pressa, deixava a superf&iacute;cie sempre lambuzada, controle de qualidade que era aferido por amostragem pelo seu Davi Alcides. Uma vez ao m&ecirc;s, nossa m&atilde;o de obra era acrescida da lavagem do sal&atilde;o, &agrave; base de latas d&rsquo;&aacute;gua na cabe&ccedil;a e abundante sab&atilde;o tuxaua. Essa for&ccedil;a de trabalho era movida pela recompensa do livre acesso que t&iacute;nhamos &agrave;s sess&otilde;es di&aacute;rias. Para isso, &eacute;ramos orientados a chegar bastante cedo, a fim de driblar o gerente do cinema, sempre de terr&iacute;vel mau humor. Ach&aacute;vamos justa aquela recompensa e a cumplicidade do nosso preceptor, sobretudo pelo fasc&iacute;nio de vivermos na enorme tela o que era negado aos colegas da mesma idade. Aos domingos, a jornada era redobrada, mas a recompensa, tamb&eacute;m. Havia a matin&ecirc; das 9h, para a crian&ccedil;ada, a sess&atilde;o das 13h, com dois filmes intercalados por um seriado que terminava sempre com nosso her&oacute;i em apuros, motivo para n&atilde;o abrirmos m&atilde;o da sequ&ecirc;ncia no domingo seguinte, o filme das 16h, frequentado por aqueles que estavam iniciando namoro, e a tradicional sess&atilde;o das 20h, voltada para o p&uacute;blico adulto &ndash; e n&oacute;s, naturalmente. Ap&oacute;s cada sess&atilde;o, iniciava-se o ritual de varri&ccedil;&atilde;o. Nossos domingos, portanto, eram dedicados integralmente &agrave; S&eacute;tima Arte. Ao final, contabiliz&aacute;vamos gloriosamente quatro filmes e um seriado assistidos! O cine Ideal era o nosso mundo e o nosso cinema Paradiso.</span></p>
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		<title>Apagando a história</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Mar 2010 00:31:32 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Tenho acompanhado com aten&#231;&#227;o a luta travada pelos estrategistas pol&#237;ticos com vistas &#224; pr&#243;xima campanha presidencial. De um lado, os petistas e partidos que seguem a orienta&#231;&#227;o do presidente Lula na perspectiva de que a melhor forma de derrotar os inevit&#225;veis advers&#225;rios do PSDB &#233; for&#231;ar a disputa plebiscit&#225;ria, comparando o que foi feito durante [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><span style="font-size: large">Tenho acompanhado com aten&ccedil;&atilde;o a luta travada pelos estrategistas pol&iacute;ticos com vistas &agrave; pr&oacute;xima campanha presidencial. De um lado, os petistas e partidos que seguem a orienta&ccedil;&atilde;o do presidente Lula na perspectiva de que a melhor forma de derrotar os inevit&aacute;veis advers&aacute;rios do PSDB &eacute; for&ccedil;ar a disputa plebiscit&aacute;ria, comparando o que foi feito durante os oitos anos de cada partido no governo. De outro, o demo-tucanato e seus aliados, que parecem querer fugir da compara&ccedil;&atilde;o como o diabo foge da cruz. No meio desse embate, os lampejos aqui e acol&aacute; do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que, mais recentemente, fez uma frustrada tentativa de decolagem nas p&aacute;ginas do Estad&atilde;o e de O Globo que deixou seus colegas em polvorosa. Afinal, contrariando todas as evid&ecirc;ncias, queria porque queria bater contabilidade de feitos entre o seu governo e o de Lula. De qualquer modo, para quem j&aacute; pediu que esquecessem o que havia escrito, n&atilde;o deixa de representar uma nova postura. Para completar, veio Ciro Gomes, com sua diplomacia Caterpillar e sentenciou pesado: &ldquo;O Fernando Henrique virou uma &acirc;ncora para matar qualquer um. Quem se ligar a ele perde a elei&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Ora, nessas alturas do campeonato, &eacute; absolutamente normal que pretendentes e padrinhos pol&iacute;ticos procurem pavimentar a estrada mais segura para a vit&oacute;ria, trabalhando com elementos de sua an&aacute;lise e convic&ccedil;&atilde;o. Mas da&iacute; a desqualificar a hist&oacute;ria passada como elemento fundamental para se julgar o presente e projetar o futuro &eacute; sofisma dos mais deslavados, &eacute; for&ccedil;ar a barra ao extremo. &Eacute; o que v&ecirc;m tentando algumas figuras com a alega&ccedil;&atilde;o de que n&atilde;o se pode ficar preso ao passado. Claro que n&atilde;o, mas &eacute; tautol&oacute;gico que a avalia&ccedil;&atilde;o do passado me dar&aacute; balizamento necess&aacute;rio para escolhas mais seguras no presente que se refletir&atilde;o no futuro. Se esse mecanismo fizesse parte de nossa cultura, j&aacute; ter&iacute;amos varrido muitos pol&iacute;ticos do mapa. O senhor Arruda, por exemplo, depois da peraltice da viola&ccedil;&atilde;o do painel do Senado sob a batuta de ACM, jamais teria sido eleito para governador do DF. Vejo, portanto, como bastante salutar, sim, a compara&ccedil;&atilde;o entre os feitos dos governantes, seu comportamento, seu car&aacute;ter, promessas feitas e cumpridas ou n&atilde;o. Afinal de contas, &eacute; esse conjunto que comp&otilde;e a hist&oacute;ria de cada um e de sua trajet&oacute;ria. E com isso n&atilde;o se brinca.</span></p>
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		<title>Análise de conjuntura</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Feb 2010 16:37:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odenildo</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Confesso que nunca me achei preparado para fazer an&#225;lise de conjuntura. Paci&#234;ncia. Todos t&#234;m suas limita&#231;&#245;es. Sei que tenho as minhas, dentre as quais essa. E n&#227;o foi falta de tentativa. Per&#237;odo houve em que deixei de lado a minha cativa discri&#231;&#227;o da &#250;ltima fileira do audit&#243;rio doutor Zerbini, tradicional e hist&#243;rico reduto de nossas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><span style="font-size: large">Confesso que nunca me achei preparado para fazer an&aacute;lise de conjuntura. Paci&ecirc;ncia. Todos t&ecirc;m suas limita&ccedil;&otilde;es. Sei que tenho as minhas, dentre as quais essa. E n&atilde;o foi falta de tentativa. Per&iacute;odo houve em que deixei de lado a minha cativa discri&ccedil;&atilde;o da &uacute;ltima fileira do audit&oacute;rio doutor Zerbini, tradicional e hist&oacute;rico reduto de nossas assembleias da associa&ccedil;&atilde;o dos docentes da Ufam, e fui premiado para residir 15 dias em Bras&iacute;lia, como representante junto ao Comando Nacional de Greve (CNG, como cham&aacute;vamos). Viv&iacute;amos a estagna&ccedil;&atilde;o das universidades federais, dos sal&aacute;rios de docentes e servidores, dos investimentos em pesquisa, das bolsas de estudos. O ensino privado j&aacute; avan&ccedil;ava sem freio e sem cabresto. Em Bras&iacute;lia, t&iacute;nhamos pesadas tarefas de mobiliza&ccedil;&atilde;o durante o dia. Eu integrava um GT (tudo terminava sempre em uma sigla) com a nobre e desafiadora tarefa de visitar os gabinetes de deputados e senadores e convenc&ecirc;-los da justeza da nossa luta. Foi numa dessas peregrina&ccedil;&otilde;es, j&aacute; com a escurid&atilde;o cobrindo o pr&eacute;dio do senado e as canelas doloridas de percorrer aqueles longos e suntuosos corredores, que conheci pessoalmente o senador &Aacute;ureo Melo, nosso eminente representante naquela augusta casa. Daquele momento, lembro-me do aperto de m&atilde;o, de identificar-me como sendo da terrinha e, naturalmente, entregar-lhe nossos panfletos e pedir solidariedade &agrave; nossa causa. Mas a cena inusitada que at&eacute; hoje permanece gravada em minha mem&oacute;ria &eacute; a do nobre senador amazonense, baixinho e gordinho, deixando seu gabinete, palet&oacute; um pouco justo, com os tr&ecirc;s bot&otilde;es amea&ccedil;ando saltar em dire&ccedil;&atilde;o ao primeiro interlocutor, atracado a duas vistosas palmas de banana que, at&eacute; hoje, n&atilde;o entendi que papel exerciam no parlamento. Mas nossas tarefas n&atilde;o acabavam por a&iacute;. As noites eram dedicadas &agrave;s reuni&otilde;es de pauta que iniciavam sempre &agrave;s 20 horas em uma sala na UNB. Era o momento das tais an&aacute;lises de conjuntura, que varavam madrugadas e madrugadas e nos faziam sonhar com tantas e sonhadas revolu&ccedil;&otilde;es. Aqui e ali at&eacute; praticava algumas interven&ccedil;&otilde;es, mas a conjuntura era sempre maior que minhas an&aacute;lises. Nunca coincidiam com a dos colegas. Enfim, convenci-me de que an&aacute;lise de conjuntura era coisa mesmo para o Betinho, irm&atilde;o do Henfil, que escreveu &ldquo;Como se faz An&aacute;lise de Conjuntura&rdquo;, publica&ccedil;&atilde;o de 1986 da Vozes que at&eacute; hoje reside em minha pequena biblioteca. </span></p>
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		<title>Ensaio sobre o fuxico</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Feb 2010 12:28:35 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[N&#227;o, n&#227;o se trata de um tema banal. Foi, inclusive, piv&#244; de um tremendo alvoro&#231;o nos &#250;ltimos dias. Espalhou-se com a velocidade de um raio a not&#237;cia de que o prefeito de Manaus havia se referido com desd&#233;m &#224; comunidade dos tuiteiros, taxando-os de fuxiqueiros. A turma se sentiu ofendida. Numa demonstra&#231;&#227;o de efici&#234;ncia e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><span style="font-size: large">N&atilde;o, n&atilde;o se trata de um tema banal. Foi, inclusive, piv&ocirc; de um tremendo alvoro&ccedil;o nos &uacute;ltimos dias. Espalhou-se com a velocidade de um raio a not&iacute;cia de que o prefeito de Manaus havia se referido com desd&eacute;m &agrave; comunidade dos tuiteiros, taxando-os de fuxiqueiros. A turma se sentiu ofendida. Numa demonstra&ccedil;&atilde;o de efici&ecirc;ncia e import&acirc;ncia do funcionamento dessa rede social, em pouqu&iacute;ssimo tempo a indigna&ccedil;&atilde;o ganhou a rua, ou melhor, os computadores e celulares de milhares de adeptos do Twitter. Cada um ao seu modo e de sua trincheira espalhava seu protesto num ritmo fren&eacute;tico de dar inveja ao marqueteiro do Obama. Constru&iacute;da a unanimidade daquele sentimento de defesa, tudo leva a crer que o prefeito tenha contabilizado advers&aacute;rios de forma gratuita. De minha parte, penso que tudo n&atilde;o passou de uma confus&atilde;o conceitual ou, pra ser mais t&eacute;cnico, daquilo que os estudiosos da l&iacute;ngua chamam de quest&atilde;o morfossem&acirc;ntica. Ora, fuxiqueiro, numa compreens&atilde;o embasada mais na experi&ecirc;ncia do que no Aur&eacute;lio, diz-se daquele ou daquela que, n&atilde;o se contendo em privatizar a informa&ccedil;&atilde;o, tem por h&aacute;bito pass&aacute;-la adiante, evocando, diga-se de passagem, um louv&aacute;vel esp&iacute;rito socialista. Ou seja, o fuxiqueiro &eacute; apenas um porta-voz dos fatos, ainda que alguns desses fatos possam ser futricas. Nesta perspectiva, pode-se deduzir que o prefeito, no fundo, fez um elogio aos tuiteiros, reconhecendo neles uma relevante contribui&ccedil;&atilde;o &agrave; sociedade. Outra coisa, por outro lado, &eacute; o futriqueiro. Diz-se daquele ou daquela que pratica os mesmos h&aacute;bitos do fuxiqueiro, mas, n&atilde;o contente em apenas socializar a informa&ccedil;&atilde;o, acrescenta a ela a roupagem que lhe conv&eacute;m, com o prop&oacute;sito sorrateiro de causar intriga, espalhar ciz&acirc;nia e dela tirar proveito. Ora, prefiro acreditar que o prefeito, homem de alta quilometragem rodada nos bastidores da seara pol&iacute;tica, n&atilde;o tenha se referido aos tuiteiros nessa acep&ccedil;&atilde;o do termo, embora n&atilde;o se possa descartar haver entre eles alguns poucos chegados &agrave; futrica. Neste caso, talvez se enquadrem mais no conceito de pissiqueiro. Diz-se daquele ou daquela que acredita tanto em si, que se acha no direito de se intrometer em tudo e com todos. H&aacute; dois tipos cl&aacute;ssicos: o primeiro d&aacute; pissica em tudo, mas reconhece suas ratadas e at&eacute; pede desculpas ao pissicado; o outro, quando n&atilde;o acerta, p&otilde;e a culpa no pissicado. &Eacute; o chamado pissiqueiro p&aacute;vulo e prepotente. Mas a&iacute; eu j&aacute; estou me alongando muito nessa hist&oacute;ria. Paro por aqui, antes que algum bacabeiro pense que eu estou fazendo futrica.</span></p>
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		<title>O preço da modernidade</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Feb 2010 00:26:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odenildo</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Foi-se o tempo em que havia um divisor de &#225;guas entre o expediente de trabalho e o per&#237;odo de descanso. No tempo de eu menino, l&#225; em S&#227;o Raimundo, a fronteira entre o trabalho e o &#243;cio era sinalizada pelo apito meio engasgado que escapava da chamin&#233; da serraria Rodolfo, do outro lado do igarap&#233;, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><span style="font-size: large">Foi-se o tempo em que havia um divisor de &aacute;guas entre o expediente de trabalho e o per&iacute;odo de descanso. No tempo de eu menino, l&aacute; em S&atilde;o Raimundo, a fronteira entre o trabalho e o &oacute;cio era sinalizada pelo apito meio engasgado que escapava da chamin&eacute; da serraria Rodolfo, do outro lado do igarap&eacute;, e invadia todos os lares e ouvidos do bairro. Os toques aconteciam infalivelmente &agrave;s 7, 11, 13 e 17 horas e tinham um poder t&atilde;o forte e autorit&aacute;rio, que as m&aacute;quinas eram desligadas no meio de uma opera&ccedil;&atilde;o de corte de uma tora de madeira. A vida dos oper&aacute;rios e, por consequ&ecirc;ncia, a nossa eram reguladas e disciplinadas por aqueles apitos. O das 11 horas, por exemplo, indicava para n&oacute;s, crian&ccedil;as, que o almo&ccedil;o estava posto. N&atilde;o importava onde estiv&eacute;ssemos, na rua ou em casa de amigos. Sa&iacute;amos em desenfreada carreira para ocupar lugar em um dos lados daquela comprida mesa na cozinha, porque a m&atilde;e j&aacute; aguardava para nos servir um a um, como mandava o ritual. Hoje, com a modernidade e os avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos, as fronteiras entre o trabalho e o repouso perderam-se no tempo. Querem ver? Chegar a casa ao final do dia n&atilde;o significa mais afazeres encerrados. O terceiro turno tornou-se obrigat&oacute;rio. Afinal, &eacute; preciso acessar a caixa de imeils (que este meu computador insiste em me convencer de que s&atilde;o emails!), apagar os inconvenientes, ler e responder as mensagens pessoais e (por que n&atilde;o?) algumas do trabalho. Aproveitando a carona, &eacute; importante consultar alguns portais de not&iacute;cias para se manter atualizado com os acontecimentos, sem descuidar dos portais de vendas pela internet, para n&atilde;o perder alguma promo&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o d&aacute; pra se descuidar das m&uacute;sicas que diariamente s&atilde;o convertidas para MP-3. H&aacute; que se organiz&aacute;-las em pastas com rigorosa classifica&ccedil;&atilde;o. Isso exige tempo. Se elas se acumulam desordenadamente, o quadro fica ca&oacute;tico. Como lidar com 10, 15, 20 mil m&uacute;sicas na hora da escolha? &Eacute; preciso, tamb&eacute;m, manter o Ipod e o Iphone sempre sincronizados e estar atento para os novos aplicativos disponibilizados pela Apple para o Itunes. J&aacute; que o computador est&aacute; ligado mesmo, n&atilde;o custa acessar a conta no Twitter, atualizar a leitura das mensagens e postar tantas outras para os meus seguidores, al&eacute;m de responder algumas em mensagens diretas. Tuiteiro que se preza n&atilde;o pode passar sequer um dia sem dar sinal de vida. Como se n&atilde;o bastasse, os filmes em DVD comprados nos &uacute;ltimos meses est&atilde;o acumulados na estante. &Eacute; necess&aacute;rio classific&aacute;-los por t&iacute;tulo, g&ecirc;nero, diretor e atores principais, caso contr&aacute;rio, na hora de querer rever algum n&atilde;o h&aacute; como localiz&aacute;-lo. Vencido pelo cansa&ccedil;o, o ponteiro se aproxima da meia-noite e eu me recolho para o sono dos exaustos. Mas n&atilde;o sem antes, j&aacute; deitado e coberto pelo len&ccedil;ol, dar uma &uacute;ltima tuitada com aux&iacute;lio do Iphone. &ldquo;Boa noite, planeta Terra!&rdquo;</span></p>
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		<title>O Nobel de Obama</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Jan 2010 00:29:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odenildo</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Sei que a abordagem do tema n&#227;o est&#225; no contexto do que a gente chama de &#8216;no calor da hora&#8217;. Penso, entretanto, que o of&#237;cio da cr&#244;nica n&#227;o &#233; o de estar sempre em cima do lance. &#201;, tamb&#233;m, o exerc&#237;cio da paci&#234;ncia de acompanhar em sil&#234;ncio os acontecimentos e, l&#225; na frente, com as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><span style="font-size: large">Sei que a abordagem do tema n&atilde;o est&aacute; no contexto do que a gente chama de &lsquo;no calor da hora&rsquo;. Penso, entretanto, que o of&iacute;cio da cr&ocirc;nica n&atilde;o &eacute; o de estar sempre em cima do lance. &Eacute;, tamb&eacute;m, o exerc&iacute;cio da paci&ecirc;ncia de acompanhar em sil&ecirc;ncio os acontecimentos e, l&aacute; na frente, com as armas da lucidez, do distanciamento e das informa&ccedil;&otilde;es, empreender an&aacute;lises mais calcadas nos fatos do que nas vers&otilde;es. Digo isso a prop&oacute;sito de ter-me flagrado esses dias, portanto depois dos fatos consumados, matutando sobre as raz&otilde;es que teriam levado Barack Obama a ser ungido com o Pr&ecirc;mio Nobel da Paz de 2009. Francamente, at&eacute; onde a mem&oacute;ria alcan&ccedil;a, n&atilde;o d&aacute; pra captar um feito extraordin&aacute;rio que justifique a importante honraria. &Eacute; certo que n&atilde;o d&aacute; pra desconhecer a relev&acirc;ncia hist&oacute;rica do fato dele ser o primeiro negro a assumir a presid&ecirc;ncia do, at&eacute; ent&atilde;o, pa&iacute;s mais poderoso do mundo. Mas da&iacute; ser merecedor do pr&ecirc;mio, como diria minha m&atilde;e, s&atilde;o outros quinhentos. Na minha humilde percep&ccedil;&atilde;o, o Nobel da Paz deveria levar em conta atributos e feitos que marcassem longamente a hist&oacute;ria de vida do contemplado. Estou aqui a me lembrar dos premiados Martin Luther King (1964), Madre Teresa (1979), Dalai Lama (1989), Nelson Mandela (1993), para ficar s&oacute; nesses exemplos. N&atilde;o &eacute; o caso, convenhamos, de Obama. Alimenta-me a cren&ccedil;a de que ele primeiro foi agraciado, para, s&oacute; depois, mostrar a que veio, numa estranha invers&atilde;o de princ&iacute;pios que desconsidera a hist&oacute;ria de vida constru&iacute;da e aposta na futura, o que, no seu caso, parece estar frustrando as expectativas. Outro dia, li nos jornais uma declara&ccedil;&atilde;o sua ratificando a &ldquo;guerra contra o terrorismo&rdquo; que, n&atilde;o fosse a legenda, poderia sem susto ser atribu&iacute;da a Bush Jr. Mais recentemente, deparei-me com artigo onde Noam Chomsky revela que o reconhecimento apressado do golpe militar que estra&ccedil;alhou a democracia hondurenha em junho do ano passado e o consequente apoio ao suspeito processo eleitoral teriam garantido, como justa recompensa, o direito ao uso de uma base &aacute;rea chamada Palmerola, de grande valor estrat&eacute;gico para os Estados Unidos naquele pa&iacute;s. Em outras palavras, a luta pela paz continua, companheiros, desde que n&atilde;o fira os nobres e humanit&aacute;rios interesses americanos.</span></p>
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		<title>A nova cara da ciencia</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Jan 2010 18:19:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odenildo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Ponto de vista]]></category>

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		<description><![CDATA[Certas conquistas s&#227;o marcadas por discri&#231;&#227;o e sil&#234;ncio, mas chega o momento em que precisam ser partilhadas publicamente, sob pena de, por falta ainda de uma cultura que lhes assegure vida permanente, elas correrem risco de descontinuidade. E, diante disso, o melhor caminho mesmo &#233; construir cumplicidade com quem financia e se beneficia dessas conquistas: [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><span style="font-size: large">Certas conquistas s&atilde;o marcadas por discri&ccedil;&atilde;o e sil&ecirc;ncio, mas chega o momento em que precisam ser partilhadas publicamente, sob pena de, por falta ainda de uma cultura que lhes assegure vida permanente, elas correrem risco de descontinuidade. E, diante disso, o melhor caminho mesmo &eacute; construir cumplicidade com quem financia e se beneficia dessas conquistas: a sociedade. Refiro-me ao que vem acontecendo com algumas institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas da &aacute;rea de sa&uacute;de no Estado. Tradicionalmente limitadas &agrave; presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os e atendimento, elas come&ccedil;am a quebrar esse paradigma. Ao lado dessa compet&ecirc;ncia que lhes &eacute; inerente, passam, tamb&eacute;m, a investir em pesquisa cient&iacute;fica b&aacute;sica e aplicada. Com isso, saltam da mera repeti&ccedil;&atilde;o de procedimentos ditados por outros centros para a produ&ccedil;&atilde;o de novos conhecimentos, criando, assim, um ciclo virtuoso em que a pr&aacute;tica tradicional, transformada em laborat&oacute;rio, gera avan&ccedil;os cient&iacute;ficos que d&atilde;o retorno a essa mesma pr&aacute;tica. De modo bem objetivo, tais institui&ccedil;&otilde;es passam de meras repetidoras a produtoras de conhecimento, ganhando competitividade e se transformando em centros de refer&ecirc;ncia para o Brasil e para o mundo. Exemplo desse novo modelo &eacute; a nossa Funda&ccedil;&atilde;o de Medicina Tropical, que disp&otilde;e hoje de sofisticados laborat&oacute;rios onde se realizam exames at&eacute; pouco tempo impens&aacute;veis no Estado, sem contar com uma massa cr&iacute;tica que, al&eacute;m de pesquisadores locais, envolve 10 doutores seniores de alt&iacute;ssimo n&iacute;vel vindos de outros centros nacionais. Esse esfor&ccedil;o, para revelar apenas um dos tantos avan&ccedil;os, permitiu aprimorar um moderno tratamento para leishmaniose. Poucos sabem, por outro lado, que o Hemoan, na mesma linha, deu um salto decisivo nesse misto de atendimento e pesquisa e hoje comanda um respeitado projeto voltado para o estudo de c&eacute;lulas-tronco, com enormes benef&iacute;cios para os portadores de doen&ccedil;as cardiovasculares. A Funda&ccedil;&atilde;o Alfredo da Mata segue a mesma f&oacute;rmula. Come&ccedil;a a montar uma equipe de pesquisadores e inaugurou recentemente um laborat&oacute;rio de biologia molecular que nada deve a outros grandes centros de pesquisa. Enfim, s&atilde;o fatos animadores que demonstram a import&acirc;ncia de se ter, de um lado, gestores comprometidos com a ci&ecirc;ncia e a inova&ccedil;&atilde;o e, de outro, uma ag&ecirc;ncia de fomento com a&ccedil;&otilde;es voltadas exclusivamente para o desenvolvimento cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico do Estado. A sociedade s&oacute; tem a ganhar. Eis uma boa pauta.</span></p>
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		<title>A amassadeira</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Jan 2010 17:20:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odenildo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Ponto de vista]]></category>

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		<description><![CDATA[Sabia que com isso n&#227;o se brinca. Minha m&#227;e sempre nos alertava. N&#227;o prometa nada a uma crian&#231;a sem cumprir. Claro que o fiz com a melhor das inten&#231;&#245;es. No meio de uma produtiva conversa sobre brincadeiras de minha inf&#226;ncia, cravei o compromisso de que, t&#227;o logo sobrasse um tempinho, construiria uma amassadeira pra ele [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><span style="font-size: large">Sabia que com isso n&atilde;o se brinca. Minha m&atilde;e sempre nos alertava. N&atilde;o prometa nada a uma crian&ccedil;a sem cumprir. Claro que o fiz com a melhor das inten&ccedil;&otilde;es. No meio de uma produtiva conversa sobre brincadeiras de minha inf&acirc;ncia, cravei o compromisso de que, t&atilde;o logo sobrasse um tempinho, construiria uma amassadeira pra ele brincar. De pronto, a natural curiosidade dos seis anos instalou-se. Queria saber o que era. Fiz lembr&aacute;-lo da patri&oacute;tica opera&ccedil;&atilde;o tapa-buracos da prefeitura, que havia premiado a nossa sofrida rua alguns dias atr&aacute;s. Aquela m&aacute;quina que tem um rolo de ferro pesado na frente, que passa em cima pra ajeitar a rua? Respondi que sim, era aquilo mesmo. Mas como &ldquo;a gente&rdquo; vai fazer? Percebi, ent&atilde;o, a sutileza matreirice do discurso infantil, j&aacute; se incluindo como parceiro naquela empreitada. Tolice mesmo acharmos que, dentro das limita&ccedil;&otilde;es de sua linguagem, uma crian&ccedil;a n&atilde;o saiba se valer das in&uacute;meras artimanhas discursivas de seu mundo. Led&iacute;ssimo engano. Pois bem, a carga de cobran&ccedil;a foi t&atilde;o cerrada nos dias seguintes, que me vi na conting&ecirc;ncia de juntar a&ccedil;&otilde;es &agrave;s palavras. &ldquo;A gente&rdquo; se sentou solenemente em volta da mesa para reunir a mat&eacute;ria-prima necess&aacute;ria &agrave; fabrica&ccedil;&atilde;o da tal amassadeira. Diferentemente do tempo de minha meninice, quando o quintal da casa era o reposit&oacute;rio de tudo aquilo de que precis&aacute;vamos para nossas brincadeiras, dei-me conta da absoluta car&ecirc;ncia de componentes para esse fim no apartamento. Arame e barbante. Tive que compr&aacute;-los na loja de ferragens mais pr&oacute;xima. Lata vazia do velho e bom leite Ninho. Havia, mas o progresso plastificara a tampa, o que inviabilizava a obra. Fomos obrigados a sacrificar outro produto similar cuja tampa era de lata. Iniciamos a linha de produ&ccedil;&atilde;o. Com um parafuso descoberto no fundo de uma gaveta e o amassador de carne fazendo a vez de martelo, furamos um pequeno orif&iacute;cio no centro das laterais da lata, por onde fizemos passar um peda&ccedil;o de arame de um lado a outro. E o pequeno fazia quest&atilde;o de colocar a m&atilde;o na massa! Em seguida, unimos as duas pontas de arame, onde amarramos o barbante que permitiria arrastar o ve&iacute;culo. A inaugura&ccedil;&atilde;o foi solene. Passei-lhe o comando do equipamento e, com a express&atilde;o plena de felicidade, Eric come&ccedil;ou a circular entre a cozinha e os quartos, com ar de quem havia acabado de conseguir um extraordin&aacute;rio feito tecnol&oacute;gico. Aos olhos de muitos, pode at&eacute; parecer bobagem, mas a alegria estava no fato de ter constru&iacute;do o pr&oacute;prio brinquedo. Dei minha miss&atilde;o e minha promessa por cumpridas.</span></p>
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		<title>Em busca de um tema</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Jan 2010 23:50:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>odenildo</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Ponto de vista]]></category>

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		<description><![CDATA[Diante dessa infernal maquininha chamada computador, fico a explorar meu disco r&#237;gido em busca de assunto para o artigo da primeira ter&#231;a-feira do ano. N&#227;o pode ser um tema qualquer. Afinal, como se dizia antigamente, &#233; de bom alvitre que se inicie o ano com o pensamento voltado para coisas boas que gerem perspectivas favor&#225;veis [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><span style="font-size: large">Diante dessa infernal maquininha chamada computador, fico a explorar meu disco r&iacute;gido em busca de assunto para o artigo da primeira ter&ccedil;a-feira do ano. N&atilde;o pode ser um tema qualquer. Afinal, como se dizia antigamente, &eacute; de bom alvitre que se inicie o ano com o pensamento voltado para coisas boas que gerem perspectivas favor&aacute;veis para os 365 dias e seis horas seguintes que iremos enfrentar. Fico achando que seria interessante discorrer sobre a frustrante confer&ecirc;ncia em Copenhague, na Dinamarca, mas logo descarto essa possibilidade. Como diria dona Maria do Carmo, minha m&atilde;e, diante dos fatos que lhe soavam incompreens&iacute;veis: &ldquo;Que diabo &eacute; 10 que 9 n&atilde;o ganha?&rdquo; Justamente os dois pa&iacute;ses que mais contribuem para o agravamento das doen&ccedil;as do Planeta &ndash; China e Estados Unidos &ndash; melaram as nossas esperan&ccedil;as de amenizar os estragos futuros! Sabemos que muito do presente j&aacute; est&aacute; irremediavelmente comprometido. Falar nisso, fico aqui a me lembrar das &aacute;guas l&iacute;mpidas e sadias do bel&iacute;ssimo igarap&eacute; que separava os bairros de S&atilde;o Raimundo e Gl&oacute;ria. Foi l&aacute;, no tempo de eu menino, entre sustos e sufocos, que eu e tantos colegas aprendemos a nadar. Aquele igarap&eacute; era o oceano da nossa inf&acirc;ncia. D&oacute;i no fundo da alma ver que ele simplesmente n&atilde;o existe mais. Pra onde ter&aacute; ido tanta &aacute;gua? Tento buscar outro tema. Que tal falar das tantas promessas n&atilde;o cumpridas pelo prefeito da cidade? N&atilde;o, n&atilde;o, os jornais, num lance de bom jornalismo, tiveram o cuidado de mostrar o tamanho do engodo. O povo agora que fa&ccedil;a seu julgamento e afira o valor do seu voto. Oportunidade n&atilde;o faltar&aacute; neste ano de tantas elei&ccedil;&otilde;es. Lembrei-me agora: posso analisar o reconhecimento da m&iacute;dia americana e europeia ao destacado papel pol&iacute;tico desempenhado pelo presidente Lula ao longo da &uacute;ltima d&eacute;cada. Mas a&iacute; seria obrigado a ressaltar, mais uma vez, que a m&iacute;dia nativa deu pouca bola para o fato. N&atilde;o, n&atilde;o vou falar sobre isso. Lava-me a alma a pergunta do cineasta F&aacute;bio Barreto durante debate no jornal O Globo: &ldquo;Por que temos um presidente que &eacute; respeitado no mundo inteiro e no Brasil a m&iacute;dia tenta destru&iacute;-lo, achincalh&aacute;-lo?&rdquo; Que saber? Que me desculpe o Valmir, editor desta p&aacute;gina de opini&atilde;o, mas n&atilde;o vou mesmo falar sobre coisa alguma nesta primeira ter&ccedil;a-feira do ano. Bom dia e bom Ano Novo.</span></p>
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